15 de dez de 2017

197. STAR WARS - OS ÚLTIMOS JEDI (2017)

Quando o 'EP VII' estreou em Dezembro de 2015, muito reclamaram da similaridade com o 'EP IV' e pelo fato do filme não se arriscar e se manter na zona de conforto. Eis que a resposta para essas críticas chega com 'Os Últimos Jedi', talvez o filme mais desafiador do universo 'Star Wars'. Os trailers já mostravam Luke falando "isso não irá acontecer da forma que você espera" e ele estava certo. O filme quebra vários conceitos já estabelecidos na franquia, mas quebra eles de forma honesta e inteligente. O roteiro de Rihan Johnson subverte nossas expectativas a respeito de certos personagens, nos entregando algo muito mais humano. Os conceitos do que é um Jedi e do que é a Força são totalmente desconstruídos, para que num próximo filme esses conceitos possam ser reavaliados. Muitos podem reclamar que o filme está mudando o que Star Wars sempre foi, mas convenhamos: já tivemos 7 filmes, seriados para a TV, livros, quadrinhos, filmes para a TV e diversos games. Acredito que Star Wars como conhecemos já foi absurdamente bem aproveitado em todas as mídias possíveis, nada mais justo do que reestruturar o universo mudando certos conceitos e tornando ele mais interessantes. 'Os Últimos Jedi' é totalmente focado nos personagens, se preocupando muito mais em desenvolver suas ambições e suas falhas do que mostrar explosões e cenas de ação. Na verdade até as explosões estão diretamente atreladas ao desenvolvimento de certos personagens. Este 'Episódio VIII' é um filme sobre falhas, já que todos ali cometem falhas totalmente humanas. Todos ali estão aprendendo com seus erros, e com isso se tornando pessoas melhores. Talvez seja o episódio mais focado nos personagens até hoje e certamente vai abalar as estruturas narrativas de Star Wars. (Star Wars - The Last Jedi. Dirigido por Rihan Johnson. Com Daisy Ridley, Mark Hammill, John Boyega, Carrie Fisher e Adam Driver. Aventura. 152 min.)

NOTA: 9

11 de dez de 2017

196. VIVA - A VIDA É UMA FESTA (2017)

Chega a doer escrever o título nacional deste filme. É compreensível não chamar o filme de 'Coco' aqui no Brasil, mas 'Viva - A Vida É uma Festa' além de ridículo, faz alusão a 'Festa no Céu', filme da FOX que também tem como tema o Dia de Los Muertos e não tem nada a ver com este filme. Deixando isso de lado, é sempre empolgante ir assistir um filme da Pixar. Eu tentei evitar todo o material de divulgação deste filme e me contive apenas com o poster. A grande maioria dos filmes da Pixar possuem tramas absurdamente originais que são desenvolvidas de formas muito mais originais ainda. Evitei os trailers de 'Viva' por estar esperando mais uma narrativa inovadora e, infelizmente, não foi isso que aconteceu. Este novo filme da Pixar parece muito mais um filme da Disney se observarmos seus temas. Toda estrutura narrativa se assemelha a outros filmes da Disney, principalmente 'Moana'. Também temos pela primeira vez canções sendo performadas pelos próprios personagens, algo que a Pixar nunca havia feito, sendo essa uma característica da Disney. Deixando isso de lado, 'Viva' se mostra um filme divertido pra caramba, com um ritmo alucinante e uma direção de arte estonteante. As poucas músicas cantadas que têm no filme são ótimas e grudentas (assim como a trilha instrumental), do tipo que faz você sair da sala de cinema cantarolando elas. 'Viva - A Vida é uma Festa' é um ótimo filme, mas que deixa aquele gostinho de 'já vi isso antes'. Não decepciona em nenhum momento, mas dá a sensação de estarmos vendo um filme da Disney e não da Pixar. Isso não chega a ser um defeito, mas é uma quebra de expectativa frustrante. Porém, o saldo final acaba sendo bastante positivo. (Coco. Dirigido por Lee Unkrich. Com Gael Garcia Bernal. Aventura. 109 min.) 

NOTA: 8.5

8 de dez de 2017

195. O REI DO SHOW (2017)

Um filme sobre os feitos de P. T. Barnum é algo que estava em desenvolvimento em Hollywood há décadas e fiquei extremamente animado quando o projeto começou a tomar forma e foi anunciado como um musical. E ele não é apenas um musical... ele é um musical pop, com músicas que você poderia facilmente ouvir na rádio. Talvez essa seja a melhor qualidade e o maior problema do filme. A trilha sonora é absurdamente envolvente, as músicas são grudentas e as letras motivadoras. Infelizmente a trilha chama mais atenção do que a história em si. Todos os números musicais são incríveis e todas as músicas são viciantes. Durante o filme, cada vez que uma música acabava, eu ja ficava esperando pela próxima, sem me importar muito com o drama que aqueles personagens estavam passando. E isso é um grande problema, já que as letras das músicas refletem perfeitamente os obstáculos que os personagens estão enfrentando. A sensação é de que a narrativa não conversa com os números musicais, já que a trilha é muito mais interessante do que a história e os personagens. O elenco está excelente e Hugh Jackman entrega uma performance cheia de vontade e atitude. Ele realmente abraça a expressão 'Rei do Show' (ou em inglês 'The Greatest Showman') e cada número musical é um show a parte. Mas como já falei antes, todos os dramas que ele passa soam artificiais e desinteressantes. 'O Rei do Show' não chega a ser um filme ruim, longe disso. Ele nem sequer apresenta problemas, mas deixa a sensação de que poderia ser MUITO melhor desenvolvido. Felizmente as canções são excelentes e eu me vejo ouvindo elas durante um bom tempo. Certamente mais da metade da minha nota final para este filme vai para a trilha sonora, já que ela é o grande triunfo do filme. (The Greatest Showman. Dirigido por Michael Gracey. Com High Jackman, Michelle Williams e Zac Efron. Musical. 105 min.) 

NOTA: 7

5 de dez de 2017

194. ASSASSINATO NO EXPRESSO ORIENTE (2017)

É realmente necessário uma refilmagem (ou nova adaptação) de 'Assassinato no Expresso Oriente' ? Eu acho que não era uma necessidade, já que o filme de Sidney Lumet (indicado para 6 Oscars e vencedor de Melhor Atriz Coadjuvante - Ingrid Bergman) continua extremamente delicioso de se assistir. Bom, então não era necessário mas acontece que já foi feito. Dirigido e protagonizado por Kenneth Branagh, essa nova versão não difere muito da outra versão, a não ser o visual mais rebuscado e o ritmo mais ágil. Essa nova versão tem uma fotografia belíssima e uma direção de arte fenomenal. O trem é um lugar apertado, mas bastante comprido, e a câmera consegue criar essa sensação de claustrofobia, de estarem todos presos naquele espaço. Além disso, a câmera está quase sempre em movimento ou em ângulos bastante originais e diferentes do que é o esperado. Essa movimentação da câmera faz o filme ser muito mais ágil e dinâmico do que a versão de 1974. Por outro lado, os personagens e as atuações do filme original são muito melhores trabalhados. O elenco dessa nova versão é fantástico e todos entregam atuações ótimas, mas acredito que o roteiro do longa de Lumet explorava muito mais os personagens, dando mais tempo de tela a eles. Aqui a maioria dos personagens tem seus pequenos momentos, mas nenhum tem uma grande cena marcante. Ao final do filme fica claro uma tentativa de criar uma franquia ao mencionarem o Rio Nilo, fazendo alusão ao livro 'Morte no Nilo'. A produção de um segundo filme já foi encomendada e em breve voltaremos a ver Kenneth Branagh voltando como Poirot - que, inclusive, nos entrega uma atuação maravilhosa e hilariante. 'Assassinato no Expresso Oriente' é um filme desnecessário, mas que entrega o que promete. É uma bom passatempo e um ótimo produto de entretenimento. (Murder on Orient Express. Dirigido por Kenneth Branagh. Com Kenneth Branagh, Willem Dafoe, Judi Dench e Daisy Ridley. Suspense. 114 min.) 

NOTA: 7.5

2 de dez de 2017

193. EXTRAORDINÁRIO (2017)

Aposto que todo mundo que viu o trailer de 'Extraordinário' já se emocionou ali naqueles 2 minutos da prévia. Se você faz parte do time que se emocionou no trailer, se prepare pois o filme vai te deixar emocionalmente destruído. Não entenda isso da forma errada. Quando digo 'destruído', falo no sentido de que você irá chorar e se emocionar do início ao fim. Seria fácil demais um filme como 'Extraordinário' cair na breguice e no clichê. É fácil demais você se emocionar com histórias de superação, principalmente quando existe uma deficiência - principalmente estética. Milagrosamente, o filme não cai nesses problemas e consegue emocionar por diversos outros motivos. A deformação facial de Auggie é sim um dos principais pontos que o roteiro aborda, mas além disso temos também outros personagens passando por diversos outros problemas. O filme é dividido em capítulos e, mesmo que Auggie seja o foco principal, todos os outros personagens são muito bem explorados e desenvolvidos. Além disso, a escalação do elenco está absurdamente incrível, com atuações extremamente fortes e honestas e com uma química contagiante. Owen Wilson e Julia Roberts realmente parecem e possuem a química que um casal bem estabelecido tem, assim como Jacob Tremblay e Noah Jupe realmente parecem melhores amigos. 'Extraordinário' te faz sair do cinema bastante pensativo, fazendo você raciocinar sobre as várias mensagens que o filme passa para o espectador. Talvez a mais forte e óbvia seja a de que todos nós temos nosso problemas e nossas batalhas, seja uma deformidade facial, seja a falta de amigos ou até mesmo o luto. O diretor Stephen Chbosky conseguiu criar uma obra envolvente, carismática e, acima de tudo, emocionante. Já vi o filme 2 vezes, me emocionei nas 2 vezes, e pretendo revê-lo outras diversas vezes. (Wonder. Dirigido por Stephen Chbosky. Com Jacob Tremblay, Julia Roberts e Owen Wilson. Drama. 113 min.)

NOTA: 10