30 de nov de 2017

192. JOGOS MORTAIS: JIGSAW (2017)

De 2004 até 2010 foram lançados 7 filmes da franquia 'Jogos Mortais'. Todo ano tinha um filme novo e quando foi anunciado o último filme, lá em 2010, todo mundo já sabia que era só uma questão de tempo até a franquia retornar aos cinemas. Não demorou muito, apenas 7 anos. Chamado 'Jigsaw', este 8º filme não traz nada de novo, mantendo a mesma fórmula usada nos 7 filmes anteriores. Um grupo de pessoas acorda em um galpão e, uma a uma, vão morrendo em decorrência de várias armadilhas montadas pelo assassino Jigsaw. Ao mesmo tempo, um detetive investiga esse suposto retorno do assassino. Lendo essa sinopse básica, parece que estou descrevendo qualquer outro filme da franquia. O fato de darem um novo título para este filme me deu esperanças de que eles iriam modificar a fórmula e trazer algo novo, mas não foi o que aconteceu. Em contrapartida, o filme acaba funcionando levando em conta sua proposta. Os personagens são interessantes, as armadilhas bem criativas e gore é chocante. O que mais gosto nesses filmes é o tom de mistério e investigação que o núcleo policial traz. Acho interessante o modo como as investigações são conduzidas e como os plot twists são satisfatórios, mesmo que sejam extremamente absurdos. Se pegarmos a franquia 'Chucky' é notável que cada filme tem uma proposta diferente, apostando em temas e estruturas diferentes. É decepcionante que uma franquia sobre um boneco assassino consiga se manter criativamente mais volátil que os filmes da série 'Jogos Mortais'. O potencial que esses filmes têm é enorme, mas a falta de vontade em fazer algo diferente me deixa decepcionado. Por outro lado, ele cumpre o que promete e entrega sustos, violência e uma narrativa minimamente coerente. (Jigsaw. Dirigido por The Spierig Brothers. Com Matt Passmore, Callum Keith e Rennie Clé Bennett. Terror 92 min.) 

NOTA: 6

19 de nov de 2017

191. A VIGILANTE DO AMANHÃ - GHOST IN THE SHELL (2017)

Enquanto 'Warcraft' é o tipo de filme que se beneficia de um conhecimento prévio, acredito que 'A Vigilante do Amanhã' funcione com pessoas que não tem conhecimento algum da obra original, como eu. Vi muitos fãs reclamando da adaptação, talvez pelo fato de o anime/mangá serem absurdamente elogiados pela crítica e pelo público, o que fez as pessoas esperarem um novo clássico da ficção-científica. Confesso que pelo pouco que eu conhecia, também esperava um novo jovem clássico. Não foi o que aconteceu, mas no geral (assim como 'Warcraft') não é um filme ruim. Chamar 'A Vigilante do Amanhã' de 'ruim' ou 'lixo' é desmerecer o trabalho de várias pessoas que conseguiram acertar em vários aspectos do filme. A fotografia do filme é arrebatadora, nível Oscar. A mise-en-scène é perfeitamente criada, lembrando muito o visual de 'Blade Runner'. A direção de arte é igualmente fantástica, brincando com o neon e a sujeira que o futuro superpopuloso traz. A trama é simples, bem contada e nada ambiciosa. Não sei como funciona no anime, mas aqui senti falta de uma narrativa melhor desenvolvida. Tudo é jogado na cara, sem chances de fazer você pensar sobre o que está vendo. Todas as informações necessárias são ditas pelos personagens, tirando aquele sentimento de 'quero mais'. Scarlett Johansson está ok no papel principal, mas confesso que me incomodou o fato de terem escolhido uma americana. Se o filme fosse inteiramente ambientado na América e com personagens americanos, tudo faria sentido. Mas aqui todo o universo remete a um visual mais oriental, com personagens orientais (falando em japonês inclusive), fazendo Scarlett ficar bastante deslocada de tudo isso. Mas no geral 'A Vigilante do Amanhã' funciona como um passatempo despretensioso. Uma pena, já que tudo levava a crer que teríamos um novo clássico do sci-fi. (Ghost in the Shell. Dirigido por Rupert Sanders. Com Scarlett Johansson e Michael Carmen Pitt. Ficção Científica. 106 min.) 

NOTA: 7

17 de nov de 2017

190. WARCRAFT (2016)

Eu nunca joguei 'Warcraft'. Eu sabia da existência desse jogo e tinha noção da febre que ele era pois vários amigos meus jogavam. Porém, eu nunca me interessei pelo jogo, e o pouco que eu conhecia dele era de ver amigos jogando perto de mim. Foram anos de negociações e troca de diretores até o filme finalmente começar a ser feito. Tudo parecia estar se encaminhando da forma que deveria ser, porém quando o filme estreou veio a avalanche de críticas negativas. A verdade é que o filme está bem longe de ser ruim. Bem longe mesmo. Talvez ele funcione melhor para os fãs. já que muita coisa que aparece na tela não é muito bem explicada, fazendo o espectador fechar os pontos sozinho. O maior problema está no roteiro, que tenta criar uma história absurdamente épica em um longa rápido de menos de 2 horas. Tudo parece extremamente corrido e apressado. Existe pouco tempo de respiro e também pouco tempo para um desenvolvimento mais aprofundado dos personagens. Por incrível que pareça, os melhores personagens são os Orcs e também são os que tem o arco narrativo melhor construído. Por isso falo que talvez o filme funcione melhor com os fãs do jogo, já que eles possuem um conhecimento prévio de todo aquele universo. O visual do filme é incrível, os efeitos especiais são perfeitos e os personagens são cativantes. Só senti falta de uma história mais bem construída e personagens melhores escritos. O roteiro precisava de diálogos, muito mais diálogos entre os personagens para que pudéssemos conhecer cada um deles e se importar com a jornada que eles estão enfrentando. 'Warcraft' não é um filme ruim, mas é um filme que tinha potencial para muito mais. Você sente que o universo é extremamente rico em detalhes, mas faltou organização nas ideias para que o público em geral pudesse se identificar com os personagens e com a jornada. (Warcraft. Dirigido por Duncan Jones. Com Travis Fimmel, Paula Patton, Ben Foster, Dominic Cooper e Toby Kebbell. Aventura. 123 min.)  

NOTA: 7

15 de nov de 2017

189. LIGA DA JUSTIÇA (2017)

'Liga da Justiça' já é um dos filmes mais caros da história e também um dos mais difíceis de ser feito. A produção sofreu com diversos problemas pessoais por parte do elenco e da equipe, como o suicídio da filha do diretor e os problemas com bebida que Ben Affleck assumiu ter. Felizmente o filme não demonstra nada disso já que do início ao fim ele é uma grande e bem humorada aventura. 'Liga da Justiça' é sobre uma equipe, e é nesse quesito que o filme realmente brilha. Os personagens são muito bem escritos e funcionam entre si. As relações são bem exploradas e a química entre eles é excelente. O roteiro não tenta nada muito inovador, se mantendo na fórmula básica que a maioria dos filmes de super heróis se baseiam. Não existe protagonismo de nenhum dos personagens, já que todos ali tem tempo de tela suficiente para serem importantes para a narrativa. Flash é o alívio cômico e grande parte de suas piadas funcionam. Aquaman tem uma presença imponente, mas não creio que ele tenha uma grande importância para a narrativa. Cyborg tem uma importância bastante relevante no terceiro ato e fiquei feliz com isso, pois achei que o personagem seria colocado em segundo plano. A relação entre Bruce Wayne e Diana é bem curiosa. O vilão do filme talvez seja o maior problema, já que ele não representa uma grande ameaça. Quando a Liga finalmente luta com ele, não demora muito para chegarem à vitória. É notável que o filme recebeu diversos cortes. A narrativa está sempre em movimento e temos poucos espaços de respiro. Creio que uns 30 ou 40 minutos de filme tenham sido eliminados e eu gostaria de ver uma versão estendida no futuro. 'Liga da Justiça' é um ótimo filme que cumpre o que promete. Podia ser melhor? Podia! Mas mesmo assim, não deixa de ser um grande filme. (Justice League. Dirigido por Zack Snyder. Com Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Gal Gadot, Ezra Miller e Jason Momoa. Ação. 120 min.) 

NOTA: 8

2 de nov de 2017

188. CARROS 3 (2017)

Toda grande empresa tem seus defeitos e a da Pixar é 'Carros'. O primeiro filme é ok, mas bem abaixo da qualidade que a Pixar vinha alcançando. Já 'Carros 2' é indefensável, com diversos furos e uma narrativa sem sentido. Ou seja, acertar com esta franquia parece difícil. Este terceiro capítulo, na minha opinião, acabou se saindo bem melhor do que os 2 filmes anteriores, mas ainda assim não me parece um filme da Pixar. 'Carros 3' já começa com uma cena incrível, mostrando Relâmpago sofrendo um acidente. O restante do filme mostra as consequências desse acidente e como ele usa isso a favor de si mesmo. O roteiro é bem básico e cheio de temas sentimentais que soam um pouco forçado, principalmente pelo fato de já terem usado esse tipo de estrutura em vários filmes. Aqui toda a parte emocional soou um pouco maniqueista, mas assisti ao filme com minha sobrinha de 3 anos de idade e ela se emocionou bastante. O grande acerto dessa franquia são seus personagens, e aqui não é diferente. Todos continuam cativante e cheios de brilho, e os novos personagens são igualmente interessantes e bem escritos. Visualmente, achei este o mais bem construído da trilogia, com diversos cenários diferentes sendo explorados de várias maneiras diferentes. A trilha sonora não tem um grande destaque, apostando em temas que estão ali apenas para acentuar a emoção das cenas. É difícil falar da franquia 'Carros', pois ao mesmo tempo que ela tem muitas coisas boas, ela também tem muitas coisas ruins. Em 'Carros 3', não é diferente. Muita coisa parece deslocada ali, mas a grande maioria funciona de um jeito delicioso. É uma aventura colorida, engraçada e com uma narrativa fácil e divertida. O melhor da franquia até agora. (Cars 3. Dirigido por Brian Fee. Com Owen Wilson, Cristela Alonzo e Chris Cooper. Aventura. 102 min.) 

NOTA: 7.5