30 de out de 2017

187. O EXORCISTA (1973)

Quando pensamos nos maiores clássicos do horror, é impossível não lembrar de 'O Exorcista'. Mesmo aqueles que nunca viram o filme irão citar ele. Ás vezes me pergunto se o filme ainda funciona atualmente. Recentemente o Cinemark exibiu ele e tomei essa oportunidade como um experimento de notar como as pessoas reagem atualmente ao filme. A verdade é que o filme envelheceu absurdamente bem, se assemelhando muito com o tipo de horror que está sendo feito hoje em dia. Filmes como 'Babadook', 'A Bruxa' e 'Ao Cair da Noite' são alguns exemplos dessa nova leva do gênero, onde o horror é muito mais tratado como um drama. E na verdade o terror é isso. Quando vivenciamos alguma situação de horror na nossa vida, sempre enxergamos ela como uma situação dramática. 'O Exorcista' é isso... é um filme de horror visto por uma ótima de puro drama. Toda situação é acompanhada pelos olhos de uma mãe desesperada em saber o que está acontecendo com sua filha. Tirando toda parte da possessão e focando apenas na mãe, é incrível que o roteiro consegue criar uma narrativa assustadoramente dramática ao nos colocar na pele dessa mãe que entra em desespero ao não saber o que se passa com sua filha. As situações e os diálogos são tão realistas e naturais que beiram ao desespero, já que é agoniante ver o que essa mulher passa durante sua busca por respostas. O grande triunfo desse filme é sua narrativa em constante crescente, aumentando cada vez mais a tensão e culminando em um final absurdamente épico e satisfatório. O grande problema da maioria dos filmes de horror é que eles não entregam um final que vai de acordo com o que foi apresentado. Já aqui, William Peter Blatty nos presenteia com um terceiro ato realmente assustador. Nessa minha ida ao cinema, 'O Exorcista' se mostrou extremamente atual. A sala estava lotada e a tensão podia ser sentida no ar. Continua um filme avassalador. (The Exorcist. Com Ellen Burstyn, Linda Blair e Max von Sydow. Terror / Drama. 132 min.) 

NOTA: 10

25 de out de 2017

186. THOR: RAGNAROK (2017)

Vejo muita gente reclamando da fórmula Marvel, alegando que a mesma já esgotou e cansou. Na minha opinião, é incrível que um estúdio tenha achado uma fórmula pessoal para o sucesso e desenvolva essa fórmula de diversas maneiras diferentes, dependendo da narrativa que é proposta. A verdade é que a Disney criou uma fórmula para seus desenhos nos anos 30 e só foi reinventar essa fórmula recentemente com 'Frozen'. Os filmes de romance possuem uma fórmula bem clara, usada desde os anos 30 e que ainda funciona. O gênero terror também segue uma fórmula que ainda gera excelentes títulos. Então não entendo esse pessoal que reclama da fórmula Marvel, alegando que já cansou, quando o estúdio tem apenas 10 anos. Se você é do time que reclama do excesso de cores e piadas nos filmes da Marvel, esse filme definitivamente não é para você. Parece que Kevin Feige pegou os comentários dos haters e decidiu fazer um filme exatamente do jeito que eles não gostam, e fazendo isso agradou todos aqueles que adoram o estilo dos filmes da Marvel. 'Thor: Ragnarok' é um filme totalmente a parte e que não precisa dos 2 primeiros para desenvolver sua narrativa. O filme é bastante focado na relação entre Thor e Hulk, gerando alguns dos momentos mais engraçados que o estúdio já criou. A vilã é muito interessante e já figura entre alguns dos mais marcantes que a Marvel já trouxe (o que não é difícil). Taika Waititi criou um filme com a cara da Marvel, mas sem perder a essência dele mesmo como diretor. Quem já viu outros trabalhos do cara irá notar o mesmo tipo de humor ali. Visualmente estonteante e narrativamente divertido, 'Thor: Ragnarok' é um filme que só tem apenas 1 propósito: divertir. E ele consegue fazer isso com maestria. As mais de 2 horas passam voando e a sensação ao final é de que você acabou de vivenciar algo realmente divertido e empolgante. (Thor: Ragnarok. Dirigido por Taika Waititi. Com Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett e Mark Ruffalo. Aventura. 130 min.) 

NOTA: 8.5

23 de out de 2017

185. O TÚMULO DOS VAGALUMES (1988)

As animações do Studio Ghibli são conhecidas pelo tom aventuresco e pela fofura de suas narrativas. Tendo isso em mente, nem parece que 'O Túmulo dos Vagalumes' é um filme do Ghibli. O filme conta a história de Seita e Setsuko, um garoto e sua irmãzinha que passam por diversos perrengues durante a Segunda Guerra Mundial. Em meio a tantas coisas ruins que acontecem com os personagens, eles ainda conseguem arranjar algum tempo simplesmente para serem crianças, gerando algumas das cenas mais lindas do filme. O roteiro aborda a guerra pela visão mais inocente possível, a das crianças que não estão ligando para os motivos disso tudo, nem para quem são as pessoas que estão atacando. Eles só querem sobreviver e serem felizes. A primeira cena do filme já nos mostra que ambos não irão sobreviver a isso tudo, mesmo assim a narrativa e esses personagens são tão envolventes que é impossível não se emocionar com as situações que eles passam. Talvez este seja o filme mais honesto com o verdadeiro sentimento que uma Guerra trás para uma nação. Estamos acostumados a vermos o lado dos soldados, ou dos judeus, mas raramente somos colocados nos olhos de uma criança que tem uma perspectiva totalmente inocente a respeito disso tudo. E é incrível como o roteiro de Isao Takahata está sempre te lembrando que são apenas crianças, criando cenas em que os irmãos só querem brincar e ter um pouco de diversão, mesmo quando a vida deles está em ruínas. 'O Túmulo dos Vagalumes' não é aquele tipo de filme que te faz chorar no final... ele te faz chorar o filme inteiro, desde o início. É um retrato cruel, porém honesto, dos verdadeiros estragos de uma Guerra. Um olhar inocente que deixa o coração de qualquer pessoa em pedaços. (Hotaru no haka. Dirigido por Isao Takahata. Drama. 89 min.) 

NOTA: 10

21 de out de 2017

184. TEMPESTADE: PLANETA EM FÚRIA (2017)

Já aviso que sou fanático por filmes que destroem o planeta Terra. Sei que a maioria possui tramas absurdas e muitas vezes risórias, mas - na minha opinião - o valor de entretenimento nesse tipo de filme tende a ser grandioso. 'Tempestade' é o mais recente filme que aborda a destruição em massa do planeta e, infelizmente, é um dos títulos mais fracos que esse título já recebeu. A premissa é interessante e, no geral, convence. Toda essa narrativa que aborda a destruição como um ataque terrorista é bem desenvolvida e os motivos dado pelo vilão tem algum sentido. O problema é que o longa de Dean Devlin foi vendido com um 'filme desastre' e, na verdade, as cenas do desastre em si são bem rápida e construídas de forma vergonhosa. Os efeitos estão ótimos, como já era de se esperar, mas não existe o senso de urgência. O filme gasta mais da metade de seu tempo tentando criar uma certa expectativa para os inevitáveis momentos de destruição, mas eles falham miseravelmente. '2012' de Roland Emmerich tem uma narrativa fina e sem muitas camadas, mas o senso de urgência nesse filme é sensacional, te deixando na ponta da cadeira durante as quase 3 horas de filme. 'Tempestade' tem menos de 2 horas mas o filme parece muito mais longo justamente por essa falta de urgência na narrativa. Quando finalmente a destruição começa, ela acaba antes mesmo de começar a ficar legal. Basicamente todas as cenas de destruição já estão no trailer, deixando pouco espaço para coisas novas. Infelizmente Dean Devlin (produtor de filmes como 'Independence Day' e 'Godzilla') não conseguiu transpor o mesmo senso de urgência de filmes como os de Roland Emmerich, mas ele até que consegue criar uma trama minimamente interessante. É um filme totalmente esquecível e sem graça alguma. (Geostorm. Dirigido por Dean Devlin. Com Gerard Butler. Ação. 109 min.)  

NOTA: 4.5

13 de out de 2017

183. A MORTE TE DÁ PARABÉNS (2017)

A fórmula adotada aqui já foi usada diversas vezes em filmes como 'Meia-Noite e Um', 'Feitiço do Tempo', 'Contra o Tempo' e 'No Limite do Amanhã'. E é interessante notar que essa fórmula geralmente rende bons resultados. Dessa vez esse estilo de narrativa em loop foi usada em um slasher, gerando um dos filmes mais divertidos do ano. Theresa é uma clássica garota popular, arrogante e um pouco bitch. Ela acaba sendo assassinada e no mesmo instante acorda novamente na manhã do mesmo dia. E assim o mistério começa, com a personagem procurando um jeito de sobreviver ao mesmo tempo que tenta descobrir quem está tentando matá-la. O roteirista tem uma extensa experiência em quadrinhos, e isso fica claro aqui nesse filme com o modo com a fantasia de toda situação é abordada. Em nenhum momento a personagem tenta descobrir por que isso está acontecendo com ela, e na verdade isso acaba não sendo importante. O foco principal é ela tentar sobrevier, acreditando que isso irá parar o loop. Claro que em um roteiro que adota esse estilo é difícil não ter furos, pois as possibilidades são absurdamente imensas. Mas ao contrário de outros filmes com o mesmo tema, onde o foco está justamente em descobrir como e por que isto acontece, aqui a narrativa se preocupa mais em divertir e criar situações inusitadas. Ao mesmo tempo que o roteiro não arrisca em muita coisa, ele consegue ser divertido com os desafios que vão sendo criados para a protagonista. 'A Morte te dá Parabéns' (ótimo título nacional, inclusive melhor que o original) é um filme de horror com diversos elementos de comédia que certamente irá divertir quem procura uma experiência despretensiosa e pra cima. Bons personagens, muito bem interpretados, em uma história desenvolvida de um jeito bastante satisfatório. (Happy Death Day. Dirigido por Christopher B. Landon. Com Jessica Rothe e Israel Broussard. Terror / Comédia. 96 min.) 

NOTA: 7.5

11 de out de 2017

182. MÃE! (2017)

Darren Aronofsky é um gênio! Seu mais novo projeto, 'Mae!' certamente é uma das experiências mais incríveis que já vivi num cinema. Algumas pessoas saíram no meio da sessão, e ao fim do filme, aqueles que ficaram permaneceram sentadas quando as luzes se acenderam. Era visível que o filme tinha deixado sua marca em todos que estavam ali. Aqueles que se deixarem embarcar nessa loucura, perceberão facilmente que a história nos mostra a relação que Deus e a Mãe Natureza têm com o Planeta Terra. Tudo isso encenado em um roteiro recheado de alegorias e metáforas. Não é tão complicado captar essa proposta quando os personagens insistem em repetir as palavras 'criador' e 'paraíso'. Jennifer Lawrence está reformando a casa que vive com seu marido quando começam a receber visitantes desconhecidos e inesperados. A casa é uma representação do Planeta Terra e os visitantes são a humanidade. A partir daí o caos toma conta e o roteiro de Aronofsky enche o filme com diversas críticas religiosas e, principalmente, ao comportamento humano. Ele demonstra, em uma das cenas mais chocantes, o que o fanatismo pode causar (seja pela religião ou até mesmo por uma pessoa específica). Faz uma clara crítica com o nosso abuso e falta de respeito com a água quando um casal insiste em se apoiar e brincar numa pia, e a consequência disso nada mais é do que a fúria e raiva da Mae Natureza se rebelando com todos que estavam desrespeitando ela. Javier Bardem interpreta um escritor, que nessa leitura bíblica representa Deus. O personagem é desenvolvido de forma genial, retratando sua constante busca por mais adoradores e tentando atender a todos. É impossível fazer uma mini crítica de 'Mãe!' sem sentir que ela está incompleta. É um projeto genial e corajoso de Darren Aronofsky. Certamente um dos melhores do ano e um dos mais originais que já vi na vida. (Mother! Dirigido por Darren Aronofsky. Com Jennifer Lawrence e Javier Bardem. Drama / Terror. 121 min.) 

NOTA: 10

9 de out de 2017

181. AMITYVILLE - O DESPERTAR (2017)

A franquia 'Amityville' certamente é a mais fraca que existe no gênero horror. O primeiro, de 1979, não é grande coisa e não entendo por que acabou sendo taxado de clássico. É um filme longo, onde pouca coisa interessante acontece, e as atuações são bem fracas. O segundo acabou sendo um pouco melhor, e depois disso só veio bomba. O remake de 2005 tem elementos de entretenimento mais satisfatórios que os do filme original, mas ainda assim peca por não tratar essa história com o realismo que ela pede. Pode ser difícil de acreditar, mas este 'Amityville - O Despertar' acabou sendo o melhor capítulo da franquia, o que não é algo difícil. Aqui temos a história de uma família que se muda para a famosa casa com o fim de tratar o problema de saúde de James, um garoto que está em coma. A partir daí sua irmã começa a ter estranhas sensações na casa e acaba descobrindo o passado dela - até mesmo é apresentada aos filmes que fizeram sobre a casa onde mora (um dos momentos mais legais). 'O Despertar' ganha méritos pelo clima de tensão crescente, que resulta em um final satisfatório e pelos personagem com um mínimo de desenvolvimento. Não é nenhuma obra-prima, e o filme nem sequer tenta ser isso. O roteiro é recheado de clichês, os personagens tem diálogos toscos, mas no geral ele acaba sendo melhor do que todos os outros da franquia 'Amityville'. É estranho reclamar tanto, mas ainda assim se sentir satisfeito com ele. Talvez pela minha falta de expectativa isso acabou sendo algo positivo. Então eu recomendo assistir este filme sem muita expectativa, esperando apenas ver uma história ok - no máximo. O passado dessa casa é assustador, e acredito que ainda está por vir o filme definitivo dessa franquia mal aproveitada. (Amityville: The Awakening. Dirigido por Franck Khalfoun. Com Jennifer Jason Leigh e Bella Thorne. Terror. 85 min.) 

NOTA: 6.5

7 de out de 2017

180. O ILUMINADO (1997)

Quem me conhece sabe que não sou grande fã do filme que Stanley Kubrick fez em 1980, e já falei sobre isso aqui. O próprio Stephen King, insatisfeito com o modo como a história foi transposta para o cinema, acabou escrevendo e produzindo sua própria versão: uma minissérie de 4 horas e meia dividia em 3 capítulos de 90 minutos. Diferente de outras produções feitas para a TV nos anos 90, esta versão de 'O Iluminado' realmente parece uma grande produção para o cinema. Ele é bem fotografado, tem cenários lindos e uma trilha sonora assustadora. Narrativamente, o roteiro explora muito mais os dramas que aquela família viveu no passado e que ainda os assombram. As atuações são aceitáveis, mas ainda assim poderia ter algumas escalações melhores. Steven Weber está magnífico como o pai de família Jack Torrance. Diferente do filme de 1980, aqui temos um Jack que aparenta ser uma pessoa normal e um bom pai no início do filme. É perceptível que ele é uma pessoa que está fazendo de tudo para ser do bem. A mudança na sua personalidade após a chegada no hotel é feita gradativamente e de forma bastante natural. Rebecca DeMornay não decepciona, mas está bem melhor que Shelley Duvall e sua atuação patética. Danny talvez seja o único personagem que merecia um ator mais expressivo já que o roteiro pede isso. É chato ficar comparando com a versão do Kubrick, mas é impossível não fazer isso já que esta versão nada mais é do que uma resposta aos fãs que ficaram decepcionados com o jeito que a história foi tratada naquele filme. A direção de Mick Garris é praticamente imperceptível, já que o destaque é sim o roteiro de Stephen King. 'O Iluminado' é uma minissérie que cumpre aquilo que promete, mas tem suas falhas - principalmente no modo como tudo é dirigido. É um projeto ambicioso e que conversa muito mais com os leitores da obra original. (The Shining. Dirigido por Mick Garris. Com Steve Weber e Rebecca DeMornay. Suspense. 273 min.) 

NOTA: 9

5 de out de 2017

179. BLADE RUNNER 2049 (2017)

'Blade Runner', longa de 1982, certamente é um marco da ficção-científica, e assim como a maioria dos clássicos do gênero, não é o tipo de filme que agrada a grande massa. Ele não é difícil de entender, mas o ritmo lento e contemplativo acaba afastando muitos que esperavam um filme de ação recheado de cenas frenéticas. Talvez este novo filme também acabe sofrendo do mesmo mal. Com quase 3 horas de duração 'Blade Runner 2049' mantém o ritmo lento do original, com um mistério tendo suas pistas reveladas pouco a pouco, e de formas que fazem o espectador pensar. O filme aborda temas universais, existentes desde o início dos tempos e que até hoje gera discussões: quem somos nós, de onde viemos. Pode parecer um tema tosco, mas o roteiro de Hampton Fancher e Michael Green explora a consciência de Joe, um replicante que acaba se deparando com uma investigação que acaba revelando alguns segredos sobre seu passado. Durante essa jornada ele acaba conhecendo a si mesmo de uma forma que ele jamais esperaria. A duração do filme em si já sugere uma narrativa lenta, mas a verdade é que os 165 minutos são bem preenchidos, tendo poucos elementos narrativos que poderiam ser eliminados. Dennis Villeneuve conseguiu criar uma obra que claramente soa como uma sequência de 'Blade Runner', com sua trilha épica, o futuro distópico, a fotografia cheia recheada de neon e - mais uma vez - o ritmo lento. Ainda assim, o diretor consegue imprimir nisso tudo sua marca pessoal, deixando claro que este é um filme de Dennis Villeneuve. 'Blade Runner 2049' é um clássico instantâneo! É aquele tipo de filme que poderia facilmente dar errado, mas nas mãos certas acabou sendo um dos melhores filmes que o gênero que já recebeu. (Blade Runner 2049. Dirigido por Dennis Villeneuve. Com Ryan Gosling e Richard Gere. Ficção Científica. 164 min.) 

NOTA: 8.5