30 de ago de 2017

175. A TORTURA DO SILÊNCIO (1953)

Alfred Hitchcock é de longe meu diretor favorito. Acho que já vi 90% da filmografia dele, tirando alguns trabalhos da época do cinema mudo. Não sei por que sempre evitei 'A Tortura do Silêncio', talvez pelo fato de eu nunca ver as pessoas falando sobre ele. Quando ouvimos falar em Hitchcock, normalmente é citado 'Psicose', 'Um Corpo Que Cai', 'Janela Indiscreta', 'Os Pássaros', entre outros. Mas nunca citam 'A Tortura do Silêncio', o que é uma enorme injustiça. Fui vê-lo apenas porque encontrei o DVD perdido em um sebo. Fiquei tremendamente satisfeito com o filme, se tornando um dos meus favoritos do diretor. Temos aqui um exemplo perfeito de como Hitch constrói um bom suspense, usando e abusando de várias técnicas que são distribuídas elegantemente ao longo da narrativa. Neste filme temos um Padre que acaba ouvindo a confissão de um assassino no confessionário. Com o início das investigações, todas as pistas apontam para o próprio Padre como suspeito, mas o mesmo não quer quebrar sua ética e relatar uma conversa que aconteceu no confessionário. Hitchcock é mestre em criar suspense, e aqui fica evidente algumas de suas artimanhas. Ele normalmente coloca um personagem que sabe mais do que o resto, neste caso é o protagonista Padre Logan, e apartir daí constrói diversas situações que quase deixam a verdade escapar. O roteiro impressiona pelo excelente desenvolvimento da persona do Padre, mostrando a importância que ele dá a sua profissão e como ele respeita seus valores éticos. Com apenas 95 minutos, 'A Tortura do Silêncio' é um longa rápido e ágil, mesmo sendo apenas diálogos, sem nada de ação. É um filme carregado pela atuação fantástica de Montgomery Clift e pela habilidade de Hitchcock em criar um bom suspense. Um dos melhores exemplos do talento de Hitchcock e um dos filmes mais intrigantes que já vi. (I Confess. Dirigido por Alfred Hitchcock. Com Montgomery Clift. Suspense. 95 min.) 

NOTA: 10

Um comentário:

Gustavo H. Razera disse...

Tem toda a razão. Esse filme é pouco comentado, mas é ótimo. Vi no ano passado e fiquei surpreendido.