3 de ago de 2017

160. DOUTOR JIVAGO (1965)

Eu não sei direito por que evitei este filme por tanto tempo. Sou apaixonado por 'A Ponte do Rio Kwai' e 'Lawrence da Arábia', mas acho que este poster de 'Doutor Jivago' me dava a impressão de o filme ser aqueles romances melosos bem ao estilo da clássica Hollywood. Ao olhar a duração, ficava mais difícil surgir a vontade, pois são 200 minutos de filme. Felizmente passei por cima desses preconceitos e decidi ver 'Doutor Jivago'. Inicialmente planejei ver o filme em 2 partes, mas o que eu assisti era tão envolvente que acabei vendo as mais de 3 horas de filme sem levantar a bunda do sofá. Como falei, o poster remete a um romance, e de fato ele tem isso, mas nem um pouco meloso. O roteiro demora a nos mostrar Jivago e Lara como um casal, usando sua primeira metade para estabelecer as personalidades de ambos, ao mostrar o universo em que cada um vive. Além disso, Jivago é casado e tem uma linda relação com sua esposa, o que deixa seu envolvimento com Lara muito menos meloso do que eu esperava. O fato de o personagem-título manter um caso extraconjugal abre uma perspectiva totalmente nova sob a narrativa, já que é difícil termos personagens principais com valores éticos deturpados e que, ainda assim, simbolizem algo de positivo para a história que está sendo contada. A fotografia do filme é absurdamente bem composta, com ângulos maravilhosos, uma paleta de cores bem escolhida e um jogo de luz perfeitamente construído. Além disso, a direção de arte extravagante consegue retratar a época de um jeito glamouroso e épico. 'Doutor Jivago' é um dos maiores clássicos de David Lean, certamente um dos mais humanos. Um grandioso épico, com um escopo gigantesco e atuações extremamente fortes. Um roteiro impressionante, um verdadeiro estudo de personagem, que nos entrega uma história de amor honesta e coerente. Certamente colocarei ele na lista dos melhores filmes que já vi. (Doctor Zhivago. Dirigido por David Lean. Com Omar Sharif. Drama. 200 min.) 

NOTA: 10

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