30 de ago de 2017

175. A TORTURA DO SILÊNCIO (1953)

Alfred Hitchcock é de longe meu diretor favorito. Acho que já vi 90% da filmografia dele, tirando alguns trabalhos da época do cinema mudo. Não sei por que sempre evitei 'A Tortura do Silêncio', talvez pelo fato de eu nunca ver as pessoas falando sobre ele. Quando ouvimos falar em Hitchcock, normalmente é citado 'Psicose', 'Um Corpo Que Cai', 'Janela Indiscreta', 'Os Pássaros', entre outros. Mas nunca citam 'A Tortura do Silêncio', o que é uma enorme injustiça. Fui vê-lo apenas porque encontrei o DVD perdido em um sebo. Fiquei tremendamente satisfeito com o filme, se tornando um dos meus favoritos do diretor. Temos aqui um exemplo perfeito de como Hitch constrói um bom suspense, usando e abusando de várias técnicas que são distribuídas elegantemente ao longo da narrativa. Neste filme temos um Padre que acaba ouvindo a confissão de um assassino no confessionário. Com o início das investigações, todas as pistas apontam para o próprio Padre como suspeito, mas o mesmo não quer quebrar sua ética e relatar uma conversa que aconteceu no confessionário. Hitchcock é mestre em criar suspense, e aqui fica evidente algumas de suas artimanhas. Ele normalmente coloca um personagem que sabe mais do que o resto, neste caso é o protagonista Padre Logan, e apartir daí constrói diversas situações que quase deixam a verdade escapar. O roteiro impressiona pelo excelente desenvolvimento da persona do Padre, mostrando a importância que ele dá a sua profissão e como ele respeita seus valores éticos. Com apenas 95 minutos, 'A Tortura do Silêncio' é um longa rápido e ágil, mesmo sendo apenas diálogos, sem nada de ação. É um filme carregado pela atuação fantástica de Montgomery Clift e pela habilidade de Hitchcock em criar um bom suspense. Um dos melhores exemplos do talento de Hitchcock e um dos filmes mais intrigantes que já vi. (I Confess. Dirigido por Alfred Hitchcock. Com Montgomery Clift. Suspense. 95 min.) 

NOTA: 10

28 de ago de 2017

174. O DEMÔNIO DE NEON (2016)

Nicolas Winding Refn entregou em 2011 o filme 'Drive', alavancando sua carreira e se tornando um dos diretores mais promissores. Não foi seu primeiro longa, e olhando sua filmografia dá pra ver que o cara é cheio de altos e baixos. 'The Neon Demon' é um perfeito exemplo de sua carreira. Terror disfarçado de drama, o filme explora a chegada da modelo Jesse em Los Angeles. Com apenas 17 anos, ela se vê jogada numa indústria onde a ganância e a inveja reinam juntas, transformando a vida e a personalidade dela. No geral, o filme parece ser um terror da vida real, mostrando as maldades que as pessoas são capazes de fazer para não perderem seu posto no topo. Mas ele também nos joga algumas cenas bizarras, fazendo nós acreditarmos que tudo se passa de algo sobrenatural, talvez satânico. O roteiro e a direção de Refn conseguem manter essa resposta no ar durante boa parte da narrativa, graças ao modo como essas cenas são apresentadas e filmadas. O filme peca no excesso de cenas que não acrescentam nada à história, a não ser uma certa satisfação visual, já que todas os takes são dignos de serem enquadrados e colocados na parede. Na verdade, boa parte do meu interesse só se manteve devido ao visual incrível, pois a narrativa é fina e os personagens fracos. Elle Fanning faz o melhor que pode com o pouco que lhe é dado. A garota manda muito bem, mas novamente senti falta de um desenvolvimento mais profundo. No final das contas 'The Neon Demon' é um filme com um tema interessante, perfeitamente filmado, mas porcamente escrito. Faltou história e faltou personagens. Por muito pouco não foi uma experiência frustante. Recomendo 'Starry Eyes', filme de terror com o mesmo tema, mas com um desenvolvimento tremendamente satisfatório. (The Neon Demon, Dirigido por Nicolas Winding Refn. Com Elle Faning. Terror / Drama. 117 min.) 

NOTA: 6

26 de ago de 2017

173. VELOZES E FURIOSOS 8 (2017)

Já escrevi sobre a 'Velozes e Furiososaqui, aqui e aqui. Sou fã declarado da franquia e não tenho vergonha disso. Quando ela tentava se levar a sério - com suas tramas relacionadas a rachas - os filmes não pareciam funcionar muito bem, mas claramente algo aconteceu nos bastidores na transição do 4º para o 5º capítulo. É uma mudança enorme de ritmo e clima que deu uma nova cara para a franquia. Eles passaram a não se levar tão a sério e a apresentar cada vez melhores cenas de ação. Do 5º filme até este aqui, não tem um que não seja ao menos divertido. Os personagens continuam porcamente escritos, mas possuem um carisma de dar inveja a outras franquias, isso sem contar a química entre eles que funciona melhor que em muito blockbuster por aí. Este oitavo capítulo, ao mesmo tempo que dá sequência à história do longa anterior, parece iniciar uma nova trilogia que culminará no décimo - talvez último - filme. Particularmente achei a trama bem interessante e talvez a melhor desde o 5º capítulo. Os temas continuam os mesmos, sempre fazendo os personagens darem valor a família depois de altas tretas envolvendo traições e MUITAS cenas de ação. Falando nisso, as cenas de ação deste capítulo são totalmente surtadas. É impossível esperar um certo realismo de 'Velozes e Furiosos' pois a graça da franquia se tornou justamente em como eles vão superar as incríveis cenas de ação que eles vão construindo em cada filme. Por mais absurdas que elas sejam, é impossível não concordar que elas são divertidas pra caramba! E o fator principal de elas funcionarem tão bem é que você se importa com os personagens graças á química que eles têm entre si e o modo como é demonstrada a importância que cada um tem para o time. 'Velozes e Furiosos 8' pode não adicionar nada de revolucionário à franquia, mas mantém ela divertida e cheia de cenas inacreditáveis, transformando ela no maior guilty pleasure atual. (The Fate of the Furious. Dirigido por F Gary Gray. Com Vin Diesel e Charlize Theron. Ação. 136 min.) 

NOTA: 8

24 de ago de 2017

172. BRUXA DE BLAIR (2016)

Inicialmente vendido como 'The Woods', este filme seria apenas mais um terror no estilo found footage. Mais tarde acabou sendo revelado que, na verdade, este seria uma sequência de 'A Bruxa de Blair', longa de 1998. Este terceiro capítulo acaba sendo uma uma continuação do primeiro, esquecendo totalmente os acontecimentos e conceitos de 'Book of Shadows', o segundo filme. Aqui temos James, que convence uns amigos a acompanharem ele na busca pela sua irmã Heather - protagonista do longa de 1998. A partir daí o filme segue a cartilha de tudo aquilo que funciona nesse sub-genêro. A maioria dos sustos funcionam e a floresta é filmada e iluminada de forma aterrorizante. Não sou muito fã deste estilo de filmagem devido ao excesso de movimentos com a câmera, muitas vezes ficando impossível de identificar o que está acontecendo. Aqui isso acontece, mas em bem menos quantidade do que na maioria dos filmes. A fotografia é muito melhor trabalhada, já que aqui temos a adição de micro-câmeras e até mesmo um drone. Infelizmente os personagens não são tão carismáticos nem tão bem escritos como no original, e isso muitas vezes tira o peso que deveria ter. Alguns podem ficar incomodados com a similaridade entre este e o original, mas pelo menos fica evidente que estudaram bem o material. Tudo aqui parece uma repetição, assim como 'O Despertar da Força' parece uma repetição de 'Uma Nova Esperança'. O filme pega os melhores elementos do filme 98 e replica aqui de forma igualmente assustadora, porém com personagens mais fracos e menos interessantes. Este 'Bruxa de Blair' de 2016 ganha pontos pelo visual, pelos sustos e pelas cenas assustadoras. Sem contar as revira-voltas e o modo como a floresta mexe com a mente deles. É um filme ok, que repete as melhores coisas de seu original mas não adiciona muita coisa interessante. (Blair Witch. Dirigido por Adam Wingard. Com James Allen McCune Callie Hernandez. Terror. 89 min.) 

NOTA: 7

22 de ago de 2017

171. STAKE LAND (2010)

Mais um pra extensa lista de filmes pós-apocalípticos com zumbis. Tá certo que na verdade aqui são vampiros, mas eles se parecem bem mais com zumbis. Tirando os dentes, o visual por completo lembra zumbis. Mas a maneira de matar eles continua a mais clássica de todas: com estacas! Em 'Stake Land' temos um garoto que se chama Martin e um homem que é chamado de Mister. Eles viajam pelas estradas norte americanas, buscando um lugar para fugir da destruição que assolou o mundo após a dominação dos vampiros. Durante essa viagem eles cruzam com diversos personagens e passam por inúmeras situações de perigo que geram algumas das cenas mais assustadoras da última década. No geral, 'Stake Land' pode facilmente ser definido como um road movie, e isso é a melhor coisa do longa. Aqueles 2 personagens, viajando de carro e conversando sobre diversos assuntos, a interação deles com os outros indivíduos que cruzam o caminho deles. Diferente de 'Apocalipse' (filme com crítica logo abaixo e que se passa num mundo pós-apocalíptico) aqui temos personagens que, além de bem escritos, são cheios de diálogos sensacionais. Eu diria inclusive que Drama seria o gênero principal deste filme, com algumas várias pitadas de horror. Eu digo drama pois os personagens tem seus traumas ou seus problemas, e todos eles são inseridos na narrativa de forma convincente e através de diálogos que exploram o desenvolvimento de cada um deles. Apesar de elogiar tanto os diálogos, o filme é recheado de cenas que exploram muito bem a tensão do mundo em que aquelas pessoas vivem, Os vampiros não são os únicos inimigos e esse tema é muito bem construído pelos roteiristas. 'Stake Land' é uma visão diferente e original sobre vampiros e acerta em cheio nas decisões que poderiam soar estranhas nas mãos erradas. Sensacional. (Stake Land. Dirigido por Jim Mickle. Com Connor Paolo e Nicki Damici. Drama / Terror. 98 min.) 

NOTA: 9

20 de ago de 2017

170. ASSIM NA TERRA COMO NO INFERNO (2014)

Apesar de amar obras como 'A Bruxa de Blair', '[REC]' 'Cloverfield' entre outros, eu sempre achei a maioria dos filmes que usam essa técnica bastante preguiçosos. A maioria das produções que se utilizam desse estilo de narrativa  têm um orçamento bastante baixo, fazendo os diretores apelarem para a câmera tremida na hora das cenas tensas. Aqui em 'Assim na Terra Como no Inferno' isso não acontece, pois muita coisa é mostrado e de forma assustadora. O filme acompanha um grupo de jovens que decidem descer até as catacumbas que existem de baixo de Paris, procurando achar a famosa Pedra Filosofal de Nicholas Flamel. Sim, a história é bastante absurda e sim, a maioria dos personagens são descartáveis. Temos talvez 2 ou 3 que acabam tendo um pouco mais de desenvolvimento, mas a tensão e os sustos compensam essa falta. Apesar de ser um filme que usa o estilo 'found footage', achei sua fotografia bem estável e até mesmo nos momentos mais turbulentos o foco está sempre muito bem calibrado. Incrivelmente tudo foi filmado em locação, nas próprias catacumbas de Paris e isso fica visível no visual do filme, dando um aspecto de super-produção já que os cenários são lindos. Desde a primeira cena o roteiro vai te jogando pistas que levam à próxima cena, que leva à próxima cena e assim sucessivamente. Algumas das pistas eu achei bem fracas, algumas extremamente óbvias, mas elas cumprem sua função que é manter o ritmo em movimento. E realmente, o ritmo do filme é alucinante. Mesmo sendo curto, o filme parece ser menor ainda pois ele literalmente não para - e isso é um elogio. 'Assim na Terra Como no Inferno' é aquele tipo de filme cheio de problemas, mas que é tão divertido e cumpre tão bem o prometido que as falhas passam despercebidas. (As Above So Below. Dirigido por John Erick Dowdle. Com Perdita Weeks e Ben Feldman. Terror. 93 min.) 

NOTA: 8.5

18 de ago de 2017

169. TERROR NOS BASTIDORES (2015)

Há alguns anos atrás descobri 'A Rosa Púrpura do Cairo' e fiquei completamente encantado pela história totalmente metalinguística e com diversos elementos apaixonantes. Eis que 'Terror nos Bastidores' (ou no original 'The Final Girls') acaba sendo uma versão que mantém a comédia e troca o romance pelo terror. Aqui um grupo de jovens acaba entrando dentro de uma tela de cinema, tentando escapar de um incêndio dentro da sala. O filme que estava sendo exibido era um slasher dos anos 80 chamado 'Camp Bloodbath' e eles acabam ficando presos dentro deste filme. A partir daí o roteiro brinca com essa ideia de diversas maneiras e todas extremamente criativas. A fotografia e a direção de arte se complementam para criar um universo totalmente fantástico e que lembra perfeitamente os filmes daquela época. Além disso, o roteiro ajuda nessa ambientação ao criar personagens típicos desse gênero e que acabam sendo o grande alívio cômico. O roteiro ainda guarda espaço para criar momentos emocionantes que envolve a filha de uma das atrizes que está no filme. A atriz no mundo real morreu, mas a filha vê uma oportunidade de talvez ter sua mãe de volta se conseguir tirá-la do filme. Parece absurdo as coisas que estou falando, e realmente é... mas no bom sentido. Sem contar que o diretor consegue misturar os gêneros comédia e terror de forma bastante original e inventiva. Senti que a comédia foi o que predominou no geral, mas o terceiro ato tem uma boa dose de sustos. 'Terror nos Bastidores' é uma mistura de gêneros que acabou resultando em um dos filmes mais criativos que já vi nos últimos anos. (The Final Girls. Dirigido por Todd Strauss-Schulson. Com Taissa Farmiga. Comédia / Terror. 88 min.) 

NOTA: 9

16 de ago de 2017

168. APOCALIPSE (2015)

Originalmente intitulado 'Extinction', este longa de 2015 é mais um que explora o mundo pós-apocalíptico dominado por zumbis. Sim, mais um. Mas a boa notícia é que este aqui acaba se destacando dos demais por seu roteiro com personagens muito bem escritos. O filme nos apresenta 3 pessoas que são as únicas sobreviventes da epidemia que tranformou o resto da população em zumbis. Uma menina e seu pai moram juntos e na casa ao lado têm um vizinho com o qual eles não conversam. O motivo de tal briga é revelado aos poucos e surge de maneira convincente, sendo apenas uma das várias camadas que os personagens possuem. Matthew Fox é um excelente ator, mas sempre enxergo o Jack de 'Lost' nos diversos papéis em que vi ele. Tirando esse detalhe, ele chora bonito e convence nas cenas mais dramáticas - mesmo lembrando Jack. Jeffrey Donovan sofre do mesmo mal, porém também convence no papel do pai super protetor. E por fim temos Quinn McColgan que está excelente no papel da pequena Lu, talvez sendo a melhor coisa do filme. Visualmente, o longa fotografado pelo veterano Josu Inchaustegui é lindo e muito bem filmado. Em alguns momentos surgem flares claramente criados digitalmente, e isso acabou me tirando do filme. Felizmente toda construção narrativa do roteiro é feita de maneira gradual e intrigante. Ele te dá alguns sustos legais, a maioria jump scares que funcionam dentro da proposta. 'Apocalipse' ganha pontos no desenvolvimento dos personagens e nas relações entre eles. Os diálogos poderiam ser melhorados e o terceiro ato soa extremamente clichê perto do que estavam preparando, mas isso não chega a estragar a experiência, apesar de ter me incomodado. No geral 'Apocalipse' é uma boa diversão que se destaca num mar cheio de filmes sobre o mesmo tema por ter personagens interessantes e bem desenvolvidos. (Extinction. Dirigido por Miguel Ángel Vivas. Com Matthew Fox, Jeffrey Donovan e Quinn McColgan. Terror / Drama. 112 min.) 

NOTA: 7.5

14 de ago de 2017

167. PARADISE LOST (1996 - 2000 - 2011)

O que era pra ser apenas um especial sobre os bastidores de tribunais americanos acabou se tornando em um dos mais importantes documentários já realizados. 'Paradise Lost' conta a história deo brutal assassinato de 3 garotos de 8 anos de idade. Devido ao estado em que foram encontrados os corpos, a polícia presumiu que o assassinato fosse parte de um ritual satânico. Eis que surge um adolescente confessando ter participado no crime e ainda citou mais 2 garotos que teriam matado as crianças. A defesa alega que a confissão foi realizada sem a presença de um advogado e após horas de pressão psicológica. É quase impossível enxergar isso acontecendo, mas como os documentários mostram, isso pode facilmente acontecer, ainda mais quando entendemos de onde vieram esses garotos e como eram suas vidas. O primeiro é basicamente um filme de tribunal, acompanhando o julgamento dos adolescentes. O segundo é o 'menos excelente' já que não têm nada de importante para adicionar ao caso, a não ser mostrar como está a visa de presidiário dos acusados. Já o terceiro talvez seja o mais importante, já que é um capítulo conclusivo altamente satisfatório para uma trilogia recheada de revira-voltas que nem mesmo os melhores roteiristas de Hollywood poderiam criar. Assistir aos 3 documentários é algo que recomendo a todos que gostam de uma boa história bem contada, pois é disso que o cinema é feito. 'Paradise Lost' é um importante documento para a história do cinema, principalmente pelo poder que esta arte pode ter na vida de certas pessoas. Uma trilogia única e uma das melhores experiências que já tive. (Paradise Lost: The Child Murders at Robin Hood Hills - Paradise Lost 2: Revelations - Paradise Lost 3: Purgatory. Dirigido por Joe Berlinger e Bruce Sinofsky. Documentário. 150 min. - 130 min. - 121 min.) 

NOTA: 10

12 de ago de 2017

166. A SEMENTE MALDITA (1956)

Para aqueles que curtem filmes de terror com crianças como 'A Profecia', 'Cidade dos Amaldiçoados', 'Anjo Malvado' e 'A Órfã', fique sabendo que se não foisse 'A Semente Maldita' nenhum destes filmes existira. Por aqui ele também é conhecido como 'A Tara Maldita', mas prefiro o outro título. Dirigido por Mervin LeRoy, 'A Semente Maldita' é o primeiro grande filme a mostrar uma criança no papel de vilã, matando outros personagens. Na verdade os assassinatos são todos narrados pela sua mãe, pois creio que para a época seria forte demais mostrar tais assassinatos. O filme é baseado em uma peça de teatro, e ele transparece isso. São mais de 2 horas de diálogos e nada mais. O filme não possui nenhuma cena de ação e nem mesmo de terror, mas o roteiro consegue te manter preso na narrativa através da tensão criada em constante crescente. Talvez hoje em dia alguns fiquem incomodado com tamanha ingenuidade da personagem de Nancy Kelly, a Mãe. Fica nítido desde o início que ela tem uma certa suspeita nas atitudes de sua filha, mas ela demora demais a cair na real. Claro, ela é a mãe da garota, e naturalmente tentaria proteger ela, mas tudo isso é consequência do maior problema do filme: sua duração. São 129 minutos de diálogos e apenas isso. Claro, as atuações são incríveis, e a maioria dos diálogos são muito bem escritos, mas muita coisa poderia ser reduzida facilmente. PattyMcCormack brilha demais no papel da vilã Rhoda, e virou inspiração para personagens como Damien (A Profecia) e Esther (A Órfã) ao estrelar este drama com pitadas de suspense. Um excelente filme que merecia uma refilmagem um pouco mais voltada ao terror. (Bad Seed. Dirigido por Mervin LeRoy. Com Nancy Kelly e Patty McCormack. Drama / Suspense. 129 min.)  

NOTA: 8

11 de ago de 2017

165. BINGO - O REI DAS MANHÃS (2017)

O Brasil parece que pegou gosto em produzir cine biografias, e felizmente tem saído bons filmes. '2 Filhos de Francisco', 'Gonzaga', 'Elena' e 'Elis' são alguns bons exemplos dessa nova mania do cinema nacional. 'Bingo - O Rei das Manhãs' chega aos cinemas se tornando uma das melhores cine biografias do cinema brasileiro. Aqui temos Vladimir Brichta interpretando Augusto Mendes, um ator que consegue fama ao interpretar o palhaço Bingo em programas matinais. O roteiro é inspirado na vida de Arlindo Barreto e sua interpretação do palhaço Bozo. Devido a problemas com direitos autorais e um excesso de modificações da história real, o filme tomou a liberdade de mudar nomes de pessoas e empresas. Mas nada disso diminui o impacto que esse filme causa. A estrutura narrativa é a mesma já vista em diversas cine biografias ao redor do mundo, mostrando uma pessoa talentosa conseguir sucesso, ter problemas pessoais e com bebidas ou drogas, ir ao fundo do poço para depois ter sua redenção. O que difere esta de outras produções é o fato de todo esse escândalo com drogas, bebidas e sexo ter acontecido nos bastidores de um programa infantil. Vladimir Brichta brilha demais como Bingo e nos entrega uma atuação maravilhosa, digna de indicação ao Oscar (algo que jamais vai acontecer). Você claramente sente o estudo que esse cara deve ter feito para conseguir atingir o nível de qualidade que ele atingiu. Além de uma boa história e excelentes atuações, o filme é um deleite para os olhos, com uma fotografia linda e cheia de cores exuberantes, assim como a direção de arte que consegue recriar perfeitamente o estilo da TV brasileira nos anos 80. 'Bingo - O Rei das Manhãs' é um filme obrigatório, uma comédia com pitadas de drama que vai emocionar até mesmo quem não é familiarizado com o personagem Bozo. (Bingo - O Rei das Manhãs. Dirigido por Daniel Rezende. Com Vladimir Brichta. Comédia / Drama. 113 min.) 

NOTA: 9

9 de ago de 2017

164. ANNABELLE 2 - A CRIAÇÃO DO MAL (2017)

Direto vejo na internet pessoas reclamando que sequências são sempre inferiores, mas isso não é verdade, principalmente no gênero horror. Recentemente tivemos 'Invocação do Mal 2' que é tão bom, ou até melhor que seu antecessor, assim como 'Ouija - A Origem do Mal' que é infinitamente melhor que o primeiro filme. Com 'Annabelle 2' não é diferente, pois aqui temos um filme com uma trama melhor e visualmente melhor construído. O longa de 2014 não chega a ser ruim, mas é bastante decepcionante. Ele tem coisas boas, mas muito mais coisas ruins. Já em 'Annabelle 2' eles decidiram apostar em uma nova história com novos personagens que funcionam perfeitamente sem o filme anterior. Para dirigir este segundo filme eles chamaram David F. Sandberg, diretor do ótimo 'Quando as Luzes Se Apagam'. Apesar deste ser apenas seu segundo filme, o cara já tem uma extensa carreira com curtas de horror no youtube. Inclusive, ele repete muitos sustos criados em seus curtas aqui em 'Annabelle 2', fazendo eles funcionarem perfeitamente em outra narrativa. E a culpa deste filme sair bom do jeito que saiu é total culpa de David. O roteiro é capenga e os sustos são os mais variados clichês do gênero. Mas o modo como o diretor cria estes sustos clichês faz total diferença, assim como a escolha de onde botar a câmera e como iluminar o ambiente. David parece ter escutado e aprendido com James Wan várias tecnicas que o mesmo usou nas séries 'Sobrenatural' e 'Invocação do Mal'. Além disso, aqui as personagens são carismáticas, muito bem interpretadas e a grande maioria é esperta - o que é raro no gênero. 'Annabelle 2' felizmente acabou sendo uma grata surpresa em um ano cheio de filmes de horror excelentes, onde a concorrência era forte. (Annabelle: Creation. Dirigido por David F. Sandberg. Com Anthony LaPaglia e Stephanie Sigman. Terror. 109 min.) 

NOTA: 8.5

7 de ago de 2017

163. PLANETA DOS MACACOS - A GUERRA (2017)

Em 2011 foi lançado um reboot de 'Planeta dos Macacos', totalmente repaginado, mudando drasticamente o visual da série dos anos 70 assim como seus temas. Este novo filme - intitulado de 'A Guerra' - encerra uma trilogia que, agora vista como um todo, entra para a história como uma das melhores trilogias do cinema. Cada capítulo é um filme totalmente diferente, com histórias diferentes e até mesmo personagens diferentes. O elo que liga essa história é Caesar, um dos melhores personagens que já vi no cinema. Andy Serkis merecia um Oscar especial pelo trabalho que ele fez com este personagem, assim como a equipe de animadores que trabalharam na concepção do macaco em CGI. Além do excelente trabalho de atuação por parte de todos do elenco, o filme oferece um roteiro interessante, muito bem escrito, com diálogos geniais e desenvolvimento de personagens que deixam no chinela qualquer drama vencedor de Oscar. Falando nisso, não se engane com o subtítulo 'A Guerra', pois o máximo que temos aqui é uma batalha. E por mais interessante que esta batalha seja, é inegável que uma parte de mim fico decepcionado por não ver uma guerra de fato. Este filme, diferente dos outros, é muito mais um drama com algumas poucas cenas de ação. Tecnicamente falando, o filme é impecável. A fotografia é belíssima, os efeitos especiais são absurdamente convincentes e a trilha sonora é magistral. Isso sem contar o trabalho sonoro do filme, com uma qualidade espantosa e efeitos extremamente imersivos. 'Planeta dos Macacos - A Guerra' é um fim de trilogia perfeitamente satisfatório, com um roteiro cheio de temas polêmicos e momento icônicos que irão colocar este reboot dentre alguns dos melhores blockbusters já feitos. (War of the Planet of the Ape. Dirigido por Matt Reeves. Com Andy Serkis, Woody Harrelson e Steve Zahn. Drama. 140 min.) 

NOTA: 9

5 de ago de 2017

162. BABY DRIVER (2017)

Quero começar dizendo que eu me nego a falar o título em português deste filme por 2 motivos: o título nacional é podre e o título original é genial. Eu adoro quando, do nada, aparece filmes excelentes que eu nunca ouvi falar. Já faz um tempo que eu parei de ver trailers simplesmente porque prefiro ser surpreendido quando vou ao cinema, portanto eu não sabia absolutamente nada de 'Baby Driver'. Na verdade a única coisa que eu sabia era que ele foi dirigido por Edgar Wright, e isso é meio impossível passar em branco já que o cara tem filmes como 'Shaun of the Dead' (outro que me nego a falar o título nacional), 'Scott Pilgrim', 'As Aventuras de Tintim' e 'Homem-Formiga' no currículo. 'Baby Driver' é a obra máxima de Edgar Wright, seu trabalho mais original e mais cheio de estilo até hoje (e olha que os filmes desse cara têm estilo). No filme temos Baby, um garoto que precisa pagar uma dívida e para isso começa a servir de motorista para ladrões de banco. As cenas de ação e perseguição de carros são perfeitamente coreografadas e criativas, batendo até mesmo aquelas vistas na série 'Velozes e Furiosos' e até mesmo em 'Mad Max'. O roteiro é recheado de personagens excelentes que esbanjam diálogos cheios de carisma e atitude. No meio de tantas qualidades, existe uma que se sobressai, e é a edição de Jonathan Amos Paul Machliss. Ao final das quase 2 horas de filme temos a sensação de que acabamos de ver um grande videoclipe, perfeitamente ritmizado. A trilha dá o tom e o ritmo das cenas e quase sempre os efeitos sonoros se confundem com os instrumentos. Eu ficarei extremamente decepcionado se eu não ver este filme indicado ao Oscar pelo menos nas categorias de Melhor Edição e Melhor Edição de Som. 'Baby Driver' é um filme frenético, com algumas das melhores cenas de ação que já vi, além de ter momentos emocionantes de encher os olhos de lágrima. (Baby Driver. Dirigido por Edgar Wright. Com Ansel Elgort, Jamie Foxx e KEvin Spacey. Ação. 112 min.) 

NOTA: 10

4 de ago de 2017

161. KRAMPUS - O TERROR DO NATAL (2015)

Ainda estamos a 4 meses do Natal, mas já é bom colocar 'Krampus' na lista dos filmes obrigatórios a se ver nesta época. Os americanos adoram filmes natalinos e existe uma enxurrada de clássicos ambientados nessa data comemorativa. Do gênero horror existem poucos exemplos, e a maioria de qualidade duvidosa. 'Krampus' mistura terror com bastante comédia e um pouco de fantasia para criar mais um clássico natalino obrigatório. O filme conta a história de uma família desfuncional que acaba sendo aterrorizada por Krampus, uma criatura mitológica que ataca no Natal. O melhor do filme é sua primeira metade e como ela estabelece e desenvolve seus personagens. O roteiro não poupa tempo em criar excelentes diálogos que deixam explícitos alguns dos problemas que está família enfrenta. As relações são conturbadas e as personalidades são fortes e ao mesmo tempo carismáticas. Depois que tudo isso foi estabelecido, o roteiro parte para o terror (ás vezes terrir) e nos entrega algumas das cenas mais inventivas que já vi em um filme. Ele não tem vergonha de ser ridículo e jogar cenas esdrúxulas na nossa cara, instigando você a rir e sentir medo ao mesmo tempo. Tudo isso funciona graças ao meticuloso trabalho na direção de arte e fotografia do filme. Os cenários evocam uma certa fantasia no local, mesmo sendo extremamente normais e básicos, a iluminação brinca bastante com as core quentes e frias e os efeitos especiais são perfeitamente executados. O filme peca em sua segunda metade por apresentar cenas de terror sem inspiração alguma, usando os clichês da pior forma possível. O início do filme nos apresentou bons personagens e uma fotografia maravilhosa, tudo indicava que as cenas de terror seriam criativas, mas não foi o que aconteceu. Felizmente todo o resto do filme é um grande acerto, fazendo de 'Krampus' uma excelente aventura de horror com toques de fantasia, perfeito para ser assistido em família no Natal. (Krampus. De Michael Dougherty. Com Emjay Anthony, Adam Scott e Toni Collette. Fantasia / Horror. 98 min.) 

NOTA: 7

3 de ago de 2017

160. DOUTOR JIVAGO (1965)

Eu não sei direito por que evitei este filme por tanto tempo. Sou apaixonado por 'A Ponte do Rio Kwai' e 'Lawrence da Arábia', mas acho que este poster de 'Doutor Jivago' me dava a impressão de o filme ser aqueles romances melosos bem ao estilo da clássica Hollywood. Ao olhar a duração, ficava mais difícil surgir a vontade, pois são 200 minutos de filme. Felizmente passei por cima desses preconceitos e decidi ver 'Doutor Jivago'. Inicialmente planejei ver o filme em 2 partes, mas o que eu assisti era tão envolvente que acabei vendo as mais de 3 horas de filme sem levantar a bunda do sofá. Como falei, o poster remete a um romance, e de fato ele tem isso, mas nem um pouco meloso. O roteiro demora a nos mostrar Jivago e Lara como um casal, usando sua primeira metade para estabelecer as personalidades de ambos, ao mostrar o universo em que cada um vive. Além disso, Jivago é casado e tem uma linda relação com sua esposa, o que deixa seu envolvimento com Lara muito menos meloso do que eu esperava. O fato de o personagem-título manter um caso extraconjugal abre uma perspectiva totalmente nova sob a narrativa, já que é difícil termos personagens principais com valores éticos deturpados e que, ainda assim, simbolizem algo de positivo para a história que está sendo contada. A fotografia do filme é absurdamente bem composta, com ângulos maravilhosos, uma paleta de cores bem escolhida e um jogo de luz perfeitamente construído. Além disso, a direção de arte extravagante consegue retratar a época de um jeito glamouroso e épico. 'Doutor Jivago' é um dos maiores clássicos de David Lean, certamente um dos mais humanos. Um grandioso épico, com um escopo gigantesco e atuações extremamente fortes. Um roteiro impressionante, um verdadeiro estudo de personagem, que nos entrega uma história de amor honesta e coerente. Certamente colocarei ele na lista dos melhores filmes que já vi. (Doctor Zhivago. Dirigido por David Lean. Com Omar Sharif. Drama. 200 min.) 

NOTA: 10

1 de ago de 2017

159. HOMEM-ARANHA: DE VOLTA AO LAR (2017)

Já da pra oficializar Homem-Aranha como o novo James Bond? Nos últimos 10 anos foram 4 filmes com 3 atores diferentes interpretando o aracnídeo. A Sony resistiu por um tempo em largar o osso, mas ao invés disso decidiu dividir o osso. 'De Volta ao Lar' é o primeiro filme da parceria Sony e Marvel Studios, que - a princípio - renderá mais uma sequência. O roteiro (escrito por 6 pessoas!!!) é esperto ao iniciar o filme nos colocando momentos antes de 'Capitão América - Guerra Civil', com uma cena engraçada e que, de cara, nos mostra a personalidade de Peter Parker. Como diz o letreiro inicial - A Film By Peter Parker - este é um filme muito mais focado em Peter e suas relações com amigos e familiares do que no Homem-Aranha. Claro, o filme é recheado de cenas de ação e o uniforme tem uma importância gigantesca na narrativa, mas Peter  em si é o foco principal do roteiro. Tom Holland definitivamente nos entrega a melhor interpretação de Homem-Aranha e Peter, dando uma cara nova ao mesmo tempo que resgata velhos valores do personagem. Vi muitos reclamarem do uniforme, pois ele é tecnológico demais, lembrando muito o próprio Homem de Ferro. Mas parece que essas pessoas não prestaram atenção que este é justamente o tema do filme: não é um uniforme que faz um herói. Todo o terceiro ato, com o Homem-Aranha usando uma roupa totalmente caseira, deixa isso bem claro. Outro ponto positivo do roteiro são seus diálogos e como a interação entre os personagens são igualmente interessantes e naturais. No geral, o filme soa como uma grande homenagem a John Hughes, onde temos adolescentes com problemas reais e que convencem o público. Bem humorado do início ao fim e personagens altamente carismáticos, 'Homem-Aranha: De Volta ao Lar' é uma grata surpresa. Não é o melhor que já vimos do Aranha no cinema, mas está longe - bem longe - de ser o pior. (Spiderman Homecoming. Dirigido por Jon Watts. Com Tom Holland e Michael Keaton. Aventura. 133 min.) 

NOTA: 8.5