29 de jul de 2017

158. PASSAGEIROS (2016)

A ficção científica anda vivendo bons anos recentemente. 'Passageiros' surgiu como a mais nova aposta para ser um marco no gênero, e de certo modo acabou sendo. Apesar das inúmeras qualidades técnicas, o filme tem alguns problemas narrativos que pesam e o deixam difícil de ser engolido. A trama conta a história de uma nave que está no meio de uma viagem de 100 anos à outro planeta. Devido a um acidente na metade do percurso, 2 pessoas acordam do sono hibernado e fazem de tudo para reverter a situação, ou passarão o resto de suas vidas na nave. A sinopse é cativante,e poderia ter rendido um novo clássico da ficção científica se resolvesse suas questões mais honestamente. Infelizmente o roteiro tropeça feio ao criar um problema ético mal desenvolvido e que mais atrapalha a narrativa do que a ajuda. Fica óbvio que o estúdio sabia do problema que tinha, tanto que tal informação foi escondida dos trailers e dos materiais de divulgação. De início essa questão até que parece interessante, mas o modo polêmico que fizeram os personagens acordarem é deixado de lado no terceiro ato, dando lugar a uma falha mecânica que é resolvida com um simples botão. Chris Pratt e Jennifer Lawrence tem uma química excelente e convencem nos momentos de descontração. Por outro lado, nas horas mais dramáticas, fica evidente que Chris Pratt não consegue alcançar o mesmo patamar de Jennifer, e isso tira o peso que certas cenas deveriam ter. A melhor coisa do filme acaba sendo os cenários magníficos, os efeitos sensacionais e a trilha sonora diferente e cheia de temas criativos. 'Passageiros' é um filme gostoso de assistir devido ao incrível trabalho de fotografia e direção de arte,  mas acaba errando em revira-voltas desnecessárias que acabam criando mais problemas do que soluções. Divertido na medida certa, mas com problemas éticos graves que não se resolvem como deveriam. (Passengers. Dirigido por Morten Tyldum. Com Chris Pratt e Jennifer Lawrence. 116 min. Ficção- Científica.) 

NOTA: 6.5

11 de jul de 2017

157. ENCURRALADO (1971)

Poucos diretores tem um início de carreira tão marcante como teve Steven Spielberg. Filmado em 1971 e diretamente para a TV, 'Encurralado' foi uma produção executada com muita rapidez, fazendo os editores ralarem para montar um filme de 70 minutos com tão poucas cenas. O roteiro é curto e direto ao ponto. Temos aqui um caminhoneiro que começa a perseguir um motorista após uma simples ultrapassagem na estrada, A premissa é simples assim e nada é muito desenvolvido além de cenas de ação. Mesmo com a fina linha narrativa, o filme te prende desde o início e não te solta mais, entregando cenas de ação muito bem elaboradas e perfeitamente filmadas. O que realmente chamou a atenção do público na época foi justamente o trabalho de câmera, que gera tomadas excepcionais. Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o trabalho de edição, mas ao ver o making of presente no DVD minha admiração pela edição só aumentou. Spielberg informa no documentário que os editores tiveram que criar cenas, pegando restos de outras cenas para fechar um longa de 70 minutos. Mais tarde Spielberg ainda filmou algumas cenas para o lançamento internacional, que teria 90 minutos. Dennis Weaver sempre foi um ator bastante ativo, aparecendo direto em algum filme ou seriado, mas foi este trabalho que acabou sendo o seu mais memorável com o passar dos anos. Seu personagem carrega a narrativa toda nas costas e ele faz um incrível trabalho com os olhos, expressando toda tensão e medo que o personagem pede. 'Encurralado' é um filme simples, curto, porém realizado com extrema competência. Um trabalho de estreia que parece ter sido realizado por alguém cheio de experiências. Spielberg mostra já em seu primeiro filme que não chegou para brincar. (Duel. Dirigido por Steven Spielberg. Com Dennis Weaver. Ação. 90 min.) 

NOTA: 7

7 de jul de 2017

156. CONTÁGIO (2011)

Eu não sei explicar por quê eu evitei esse filme por tanto tempo. Eu sou fascinado pelo trabalho do diretor Steven Soderbergh, e muito mais pela temática que ele apresenta aqui. Eu tenho o Bluray deste filme na minha estante faz anos, mas fui ver ele somente essa semana. Fiquei estarrecido! Se tornou, facilmente, um dos melhores filmes de 2011, na minha opinião. O filme conta a história de uma doença que se alastra pelo mundo rapidamente e mata aqueles que se infectam com ela mais rápido ainda. O roteiro desenvolve a infecção a partir de diversos pontos de vista, criando uma narrativa ágil e interessante. Temos o ponto de vista do homem comum, que tenta proteger sua família. Temos o ponto de vista do governo, dos farmacêuticos, dos pesquisadores. São diversas narrativas isoladas que acabam se cruzando em algum momento, e o melhor é que todas essas histórias são igualmente cativantes e desenvolvidas com maestria. O roteiro não poupa esforços para construir relações e diálogos que reforçam muito a ideia de que isso poderia facilmente acontecer no mundo em que vivemos, e exatamente daquele jeito. Steven Soderbegh imprime sua identidade ao mesmo tempo que constrói um drama que beira ao horror, devido ás suposições que ele cria. Simples closes em mãos, cartões de créditos e maçanetas criam um clima de desespero, pois são coisas simples do nosso dia-a-dia que podem espalhar doenças terríveis. O elenco do filme é espetacular e seu poster faz questão de frisar isso, mostrando foto de cada uma das personalidades que estão nele. Kate Winslet e Matt Damon foram os que mais me impressionaram, e também são os que tem os papéis mais desafiadores. 'Contágio' é um excelente suspense que beira ao horror. Um filme que me deixou chocado com seu realismo e reflexivo com sua temática. Já entrou para a lista dos meus filmes favoritos. (Contagion. Dirigido por Steven Soderbergh. Com Matt Damon, Kate Winslet. Lawrence Fishburne e Marion Cotillard. Suspense. 106 min.) 

NOTA: 9.5

5 de jul de 2017

155. O ÚLTIMO PORTAL (1999)

Roman Polanski dedicou boa parte de sua carreira ao thriller, algumas vezes sobrenatural. Ele sabe como construir uma atmosfera de suspense, sempre pegando inspirações do cinema noir. Em 1999 ele lançou 'O Último Portal', um thriller com uma narrativa cheia de simbolismos. O filme conta a história de um especialista em literatura que sai em busca de um livro supostamente escrito pelo próprio Diabo. O roteiro não demora a apresentar sua premissa e vai nos entregando cenas que desenvolvem um mistério muito bem construído. A sensação é de que cada pista é extremamente importante e o filme não para de nos bombardear com informações interessantes e necessárias, fazendo o ritmo ser bastante rápido, mesmo com as poucas cenas de ação. A escalação de Johnny Depp para o papel principal certamente foi uma decisão embasada no marketing, tentando atrair jovens para assistir ao filme. Infelizmente não deu muito certo já que o longa não foi um grande sucesso de bilheterias, e também Johnny Depp não impressiona como Dean Corso. Não acho que ele funcione em suspense, pois muitos de seus trejeitos acabam saindo com tons cômicos, quebrando o clima algumas vezes. O bom é que o roteiro é intrigante demais e o visual perfeitamente construído, fazendo as qualidades ressaltarem na tela. Alguns podem ficar insatisfeitos com o final aberto e ao tentarem decifrá-lo irão achar furos no roteiro. Eu gosto de filmes que geram discussão ao invés de entregar aquilo que esperávamos. O final me incomodou sim em um primeiro momento, mas ao pensar um pouco sobre ele tudo se tornou bastante condizente com o que tinha sido apresentado. 'O Último Portal' é um ótimo thriller que tem seus baixos, mas felizmente seus altos são bem mais marcantes. Merece ser visto e - principalmente - revisto. (The Ninth Gate. Dirigido por Roman Polanski. Com Johnny Depp. Suspense. 133 min.) 

NOTA: 7.5

3 de jul de 2017

154. SULLY (2016)

Eu detesto Clint Eastwood como pessoa, e também não sou grande fã dele como ator. Mas é inegável que o cara tem um talento enorme para direção. Mas também, ele aprendeu com um dos melhores diretores que já existiu: Sergio Leone. Ele tem 87 anos e 4 Oscars na prateleira, mesmo assim Clint está extremamente ativo, lançando ás vezes 2 filmes no mesmo ano. E o melhor de tudo: bons filmes! Seu mais recente trabalho 'Sully' conta a história real de um piloto que cometeu uma manobra arriscada ao aterrizar um avião no rio Hudson, em Nova York. Com uma metragem curta - apenas 90 minutos - o roteiro prefere focar nos incidentes que sucederam o acidente. O piloto foi posto a julgamento por ter colocado os passageiros em risco, mesmo todos tendo sobrevivido. A história é realmente fantástica e após a sessão fui direto para o celular verificar se tudo aquilo realmente aconteceu. Alguns podem reclamar da falta de história, pois o acidente foi muito rápido, sem graves consequências e o final é óbvio pois foi notícia no mundo todo. Mesmo assim, o filme usa e abusa de pontos de vistas diferentes e cenas de sonho para nos dar diversas cenas do acidente específico. Fica claro que, mesmo já sendo extremamente curto, ele poderia ser mais curto ainda. O roteiro insiste em cenas de flashback totalmente desnecessárias como a primeira vez que Sully pilotou um avião. Eles fazem isso com a intenção de humanizar o personagem, mas não é necessário pois suas atitudes durante e após o acidente já humanizam ele o bastante. Para dar um tom mais dinâmico, a história é contada fora da linha cronológica, e isso funciona, fazendo o filme ser ágil e rápido. Clint Eastwood já fez filmes melhores, mas 'Sully' está bem longe de ser uma decepção. É uma boa história bem contada... e só. (Sully. Dirigido por Clint Eastwood. Com Tom Hanks. Drama. 96 min.) 

NOTA: 7

1 de jul de 2017

153. A CURA (2017)

E já temos o filme mais injustiçado do ano. Infelizmente a indústria cinematográfica é cruel e muitas vezes filmes excelentes acabam caindo no esquecimento rapidamente, fazendo com que que seu alcance seja cada vez menor. Esses dias eu estava relembrando os filmes que vi no cinema e rapidamente veio o longa de Gore Verbinski na cabeça. Com o lançamento do DVD e BluRay espero que mais pessoas conheçam esta obra. Já de cara o filme impressiona pela excelente fotografia e pelo clima de suspense. Bojan Bazelli criou uma fotografia cheia de planos extremamente abertos, que contemplam a direção de arte perfeitamente gótica. Mas aqui o visual dá prioridade ao branco, algo bastante inesperado para a construção de um visual gótico, e funciona lindamente. Bazelli já trabalhou com Gore Verbinski antes, sendo uma das vezes em 'O Chamado', onde o estilo e certas cores são muito semelhantes. O roteiro é inteligente ao colocar o espectador em caminhos diferentes do que ele espera percorrer, mas ao mesmo tempo nos entrega um final no maior estilo filme B. Todas as pistas são entregues de forma lenta, dando tempo para o público raciocinar e divagar sobre possíveis desfechos. Mesmo assim o desfecho é - ao mesmo tempo - inesperado e o cúmulo do clichê (no melhor sentido da palavra). A longa duração pode incomodar alguns, e eu tiraria uns 15 ou 20 minutos de filme para depois montar uma 'versão estendida'. Na segunda metade é perceptível um certo peso na narrativa, que deixa ela mais lenta, fazendo o filme ficar entediante em alguns momentos. Mas isso não chega a ser um grande incômodo pois todo o resto funciona perfeitamente. Gore Verbinski nos entrega um excelente suspense, com um visual marcante e com toques de filme B, lembrando os clássicos Monstros da Universal em diversos momentos. Excelente! (A Cure for Wellness. Dirigido por Gore Verbinski. Com Dane DeHaan e Jason Isaacs. Suspense. 146 min.) 

NOTA: 9