29 de jun de 2017

152. INDIANA JONES e O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL (2008)

Mais de 20 anos após sua última aparição nos cinemas, Indiana Jones voltou para mais uma aventura. Novamente comandado por Spielberg e produzido por Lucas, este quarto filme é uma enorme homenagem à trilogia. De todos os capítulos da franquia, este é o único que precisa dos outros para uma apreciação mais completa. Além de Harrison Ford voltando como Indiana, temos também Karen Allen reprisando seu papel em 'Os Caçadores da Arca Perdida'. Junto ela vem Shia Labeuf como o filho de Indiana Jones. Sim eles fizeram isso! Eu achei um pouco desnecessário a inserção de um filho, tentando reprisar a excelente química entre pai e filho do filme anterior. Por mais desnecessária e repetitiva que esta relação seja, é inegável que ela gera momentos genuinamente engraçados. É interessante notar que Harrison Ford interpreta Indiana como Sean Connery interpretava Henry em 'A Última Cruzada', e Shia tenta emular um jovem Harrison em 'Os Caçadores da Arca Perdida'. O filme tem péssimos momentos como a perseguição de carros na floresta - com direito a macacos e formigas gigantes - e o final totalmente desconexo com o que foi apresentado no resto da narrativa. Spielberg estava claramente sem inspiração aqui, dirigindo este filme no modo automático, mesmo assim se sai melhor do que muito diretor de blockbuster por ae. Por mais que ele acerte a mão no visual e no clima do filme, sinto uma certa preguiça, principalmente nas cenas de ação, onde ele usa e abusa de efeitos especiais em CGI que quebram toda a essência do que realmente Indiana Jones significa para a indústria. Mesmo com tantos defeitos, ainda enxergo muito mais qualidades, pois o clima está perfeito, as cenas de de ação são - no geral - emocionantes e você realmente se sente embarcando em mais aventura com Indiana Jones. (Indiana Jones and the Kingdom of the Crystal Skull. Dirigido por Steven Spielberg. Com Harrison Ford e Cate Blanchett. Aventura. 122 min.) 

NOTA: 7

28 de jun de 2017

151. INDIANA JONES e A ÚLTIMA CRUZADA (1989)

Em 1989, Steven Spielberg e George Lucas trouxeram Indiana Jones para mais uma aventura. Assim como o antecessor, este aqui tem sua própria narrativa, podendo ser assistido até mesmo por quem não conhece a franquia. Os 2 filmes anteriores tinham como temática objetos místicos relacionados à crenças, e aqui não é diferente. Em 'A Última Cruzada' temos o arqueólogo indo atrás do Santo Graal, cálice usado por Jesus Cristo na Santa Ceia. Mais uma vez o roteiro dá uma enorme veia cômica para um personagem coadjuvante, desta vez o pai de Indiana Jones. Sean Connery nos entrega uma atuação hilária, cheia de momentos marcantes, se tornando - na minha opinião - o melhor personagem da franquia inteira. A química entre ele e Harrison Ford é sensacional e gera os melhores diálogoss da trilogia. Assim como a personagem de Kate Capshaw em 'O Templo da Perdição', o pai de Indiana está ali para dificultar o trabalho do filho ao se meter em diversas situações curiosas. Tecnicamente o filme é excelente, mas comparado aos 2 primeiros, é notável que este aqui acaba se mantendo numa zona bastante segura. Até mesmo os cenários por onde as cenas de ação se desenrolam são bastante comuns para o nível que Spielberg havia estabelecido anteriormente. Outro ponto bastante diferente é o visual claro, com a maioria das cenas sendo filmadas a céu aberto e durante o dia. Dentre os 3 primeiros filmes, considero este o 'menos excelente' - digamos assim. Talvez ele funcionasse melhor como o primeiro da franquia, para seguir com uma escala maior em 'Os Caçadores' e fechar com chave de ouro com 'O Templo'. Mas sendo um terceiro filme, fica a sensação de que poderia ter sido mais inventivo. Mesmo assim, 'A Última Cruzada' é uma aventura contagiante, perfeitamente editada, e com personagens extremamente carismáticos. (Indiana Jones and the Last Crusade. Dirigido por Steven Spielberg. Com Harrison Ford e Sean Connery. Aventura. 127 min.) 

NOTA: 8.5

26 de jun de 2017

150. INDIANA JONES e O TEMPLO DA PERDIÇÃO (1984)

Quando 'Os Caçadores da Arca Perdida' foi lançado, poucos filmes recebiam uma sequência. Até mesmo o gênero terror, famoso por incansáveis continuações, estava dando seus primeiros passos quando o assunto é franquias. Em 1984 Spielberg e Lucas se juntaram novamente para produzir mais uma aventura de Indiana Jones. Diferente do que estamos acostumados a ver em continuações, aqui Spielberg ignora totalmente o primeiro filme, focando apenas em contar mais uma aventura do arqueólogo. Quem não viu o filme anterior, pode assistir este sem medo, já que não é necessariamente uma continuação da primeira história, mas sim um novo conto envolvendo Indiana Jones. A trama de 'O Templo da Perdição' é bem mais dark, e isso incomoda Spielberg até hoje, que considera este o mais fraco da trilogia. Eu, particularmente, acho este o melhor capítulo da franquia. O filme consegue equilibrar momentos de tensão com ótimos toques de humor que deixam toda experiência totalmente agradável. As cenas de ação são extremamente bem elaboradas e perfeitamente editadas. Até hoje, considero uma das maiores falhas do Oscar esquecer 'O Templo da Perdição' na categoria de 'Melhor Edição'. A quantidade de efeitos aqui é bem maior e é tão gostoso ver esses efeitos especiais feitos na raça, sem o uso de computadores. Já se passaram mais de 30 anos e os efeitos especiais continuam atuais e não mostram sinais de envelhecimento. Mas além de tecnicamente impecável, o elenco deste capítulo é totalmente carismátic. Kate Capshaw e Jonathan Ke Quan são os grandes destaques do filme e roubam a cena cada vez que aparecem em tela. 'O Templo da Perdição' é uma aula de como fazer uma continuação, pois mantém o clima do primeiro filme ao mesmo tempo que cria uma nova aventura em terrenos bastante diferentes. Vibrante do início ao fim, o melhor da franquia! (Indiana Jones and the Temple of Doom. Dirigido por Steven Spielberg. Com Harrison Ford. Aventura. 118 min.)

NOTA: 10

23 de jun de 2017

149. OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA (1981)

Existem filmes que representam uma época, e para apreciá-los de maneira adequada é necessário se colocar na época em que a obra foi realizada.  E também existe aqueles filmes atemporais, que não envelhecem com o tempo. 'Os Caçadores da Arca Perdida' é uma dessas obras que continua tão atual e dinâmico quanto na época de seu lançamento. Assim como 'Star Wars' se inspira eM 'Buck Rogers', 'Indiana Jones' pega muito de Allan Quatermain, personagem de 'As Minas do Rei Salomão'. O filme evoca uma certa nostalgia, até mesmo para aqueles que não tem nenhuma relação com as obras que inspiraram George Lucas e Steven Spielberg. 'Caçadores' já abre com uma excelente cena de ação e a partir daí o filme dá poucas paradas. Na verdade, se observarmos a trilogia toda, este primeiro capítulo é o mais calmo. Spielberg trabalha muito mais a construção do suspense e do mistério do que a ação em si. Muitas cenas lembram puzzles, com um desafio que leva a outro desafio e assim por diante. Não é surpresa que o filme tenha ganho 5 Oscars, pois ele é tecnicamente impecável. A fotografia, a direção de arte e, principalmente, a trilha sonora. A música de John Williams eleva a narrativa a um patamar nunca antes alcançado, pois é ela que dá todo o tom e ritmo. Harrison Ford é outro ponto bastante importante para o sucesso de 'Caçadores', já que seu carisma é algo absurdo. Ele não é um gênio, nem ganhou Oscars, mas é só Harrison aparecer em tela que tudo parece se encaixar. 'Os Caçadores da Arca Perdida' é um filme que serve como forte inspiração até hoje. Podemos facilmente dividir a história do cinema de aventura em 2 tempos: antes e depois de 'Indiana Jones'. Steven Spielberg e George Lucas criaram uma obra que transcende o tempo, que dita novas regras para o gênero, e que estabelece um novo tipo de ritmo para a narrativa no cinema. (Raiders of the Lost Ark. Dirigido por Steven Spielberg. Com Harrison Ford. Aventura. 115 min.) 

NOTA: 9

16 de jun de 2017

148. AMERICAN HORROR STORY: ROANOKE (2016)

O que mais tem aqui nesse blog é crítica de filmes de terror, e quem me conhece sabe que é meu gênero favorito. Mesmo assim, eu tentei evitar 'American Horror Story' em sua primeira temporada por puro preconceito de ver terror na TV, já que a pouca referencia que temos é de qualidade bastante duvidosa. A série oscila entre temporadas excelentes e temporadas medianas. Mas isso também vai de cada um, pois as temporadas que menos gostei são as favoritas de alguns amigos meus. Esta sexta temporada, chamada de 'Roanoke' está entre algumas das coisas mais incríveis que já vi na TV americana. A estrutura do seriado já vinha ficando saturada e teve seu ápice com 'Hotel', onde tudo parecia ter sido feito ás pressas. 'Roanoke' não só dá uma cara nova para o seriado, como reinventa toda uma estrutura já usada pela TV desde sua criação. Esta temporada é um pouco menor - apenas 10 episódios - e está divida em 2 partes. É difícil explicar a estrutura dessa temporada, mas o mais interessante são os diferentes tipos e técnicas de filmagem que essa temporada traz. Os primeiros episódios emulam aqueles documentários de investigação do Discovery, mostrando entrevistas intercaladas com a simulação dos acontecimentos interpretados por outros atores. Já a segunda metade é um reality show que junta todo o universo numa sequência de episódios recheados de revira-voltas e violência ao extremo. Além disso, como já é de praxe, 'American Horror Story' traz excelentes personagens, muito bem desenvolvidos e extremamente carismáticos. Não sei como a série vai bater o nível de originalidade alcançado nessa temporada, mas vai ser difícil. As últimas 3 temporadas da série foram boas, mas não tanto quanto as 2 primeiras, por isso é revigorante ver uma temporada realmente excelente e que se mantém consistente do início ao fim. (American Horror Story: Roanoke. Terror.) 

NOTA: 10

14 de jun de 2017

147. A MÚMIA (2017)

A Marvel não criou essa coisa de universo compartilhado com vários filmes, mas certamente foram eles que popularizaram a idéia. Desde então a DC começou a criar seu próprio universo, assim como a Legendary com 'King Kong' e 'Godzilla'. A Universal parece ter tentado um início de franquia em 2014 com 'Drácula - A História Nunca Contada', mas não funcionou certo pois ninguém deu muita bola para esse filme. Parece que este novo 'A Múmia' é o definitivo ponta pé inicial no 'Dark Universe', como a Universal vem chamando este universo de monstros. Protagonizado por Tom Cruise, 'A Múmia' não chega a ser uma decepção pois as minhas expectativas estavam super baixas. O diretor Alex Kurtzman é famoso por escrever blockbusters, e aqui ele assume apenas o cargo de direção, fazendo um bom trabalho - nada excepcional. O roteiro segue a mesma fórmula de vários outros filmes com a mesma temática: alguém acorda a múmia por acidente, e a mesma clama pela ressurreição de um amor antigo. Não tenho problema com a reaproveitação de tramas, mas o problema aqui é que o filme de 1999 continua atual e funciona muito bem, tornando essa trama desnecessária. Ainda que este aqui seja claramente um filme de aventura, o tom pesado e as cores escuras deixam o filme bastante sombrio. Em certos momentos ele deixa a aventura de lado para se concentrar totalmente no suspense e terror. Tom Cruise continua interpretando Tom Cruise e os personagens coadjuvantes não acrescentam em nada. A nova criatura tem um visual bem interessante, mas o background da personagem é raso demais e o roteiro não consegue criar o misticismo necessário. Ainda que o filme traga algumas surpresas, alguns personagens interessantes e cenas de ação muito bem construídas, no fim tudo parece ser mais do mesmo. Não chega a ser uma decepção, mas o 'Dark Universe' merecia um ponta pé inicial mais marcante. (The Mummy. Dirigido por Alex Kurtzman. Com Tom Cruise. Aventura. 107 min.) 

NOTA: 5

12 de jun de 2017

146. MULHER-MARAVILHA (2017)

O histórico da DC no cinema é cheio de altos e baixos. Tanto Batman quanto Superman tiveram filmes clássicos vencedores de Oscar e filmes péssimos considerados alguns dos piores da história. Mas no quesito heroínas, todos os filmes foram uma desgraça. A responsabilidade de acertar em um filme da Mulher-Maravilha era tão grande que foi o principal motivo da produção ser adiada diversas vezes. Depois de iniciar um universo de qualidade discutível, finalmente a DC entrega um filme excelente! O longa de Patty Jenkins não tenta inovar em termos narrativos, na verdade sua estrutura é bem básica e nisso ela lembra muito os filmes da Marvel. Gal Gadot já tinha mostrado ser uma boa Mulher-Maravilha ao aparecer em 'Batman v Superman', mas aqui fica claro que ela é a escolha mais que perfeita para o papel. Além disso, o roteiro ajuda bastante ao entregar a ela diálogos fortes, empoderadores e cheios de liderança e atitude. Por ter sido criada em um ambiente totalmente liderado e governado por mulheres, a personagem acaba enxergando o nosso mundo de uma forma bastante diferente, gerando algumas das cenas mais espetaculares que já vi em filmes de super heróis. Gosto que o filme é feminista de uma maneira bastante consciente, sem ser extremista. Ainda temos o macho branco sarado, mas só por que este é um filme feminista, isso não quer dizer que ela não possa se apaixonar por um homem. Na verdade é ela mesma quem toma atitude quanto ao relacionamento com o piloto. Além de tudo isso, o visual é absurdamente espetacular. O figurino da Mulher-Maravilha é lindo e os movimentos em câmera lenta tendem a ressaltar bastante os poderes da roupa. Narrativamente não é um filme revolucionário, mas ele certamente é um ponto de virada nas adaptações de heroínas para o cinema. 'Mulher-Maravilha' não só cumpre o que promete, como entrega muito mais. (Wonder Woman. Dirigido por Patty Jenkins. Com Gal Gadot e Chris Pine. Aventura. 141 min.) 

NOTA: 8.5

10 de jun de 2017

145. CORRA (2017)

Fazia muito tempo que eu não tinha uma experiência cinematográfica como a que tive em 'Corra'. A sala de cinema inteira interagia, conversava e gritava com os personagens na tela como se já os conhecessem de outros filmes. O roteiro apresenta uma trama que já soa interessante desde o início, mesmo sem as camadas subsequentes. Chris, um garoto negro, está indo passar o final de semana na casa de sua namorada, uma garota branca, e fica receoso com a reação dos pais dela ao saberem que sua filha está namorando uma pessoa de cor negra. Jordan Peele conseguiu construir um roteiro extremamente inteligente, oscilando entre suspense e comédia, com uma crítica social sobre racismo tremendamente bem desenvolvida na narrativa. O roteiro brinca com diferentes tipos de racismo. Numa primeira camada temos o racismo do branco contra o negro, se olharmos mais fundo também temos o racismo do negro contra o branco e também temos o nosso próprio racismo onde tentamos prever os acontecimentos com base nas situações criadas. O filme subverte nossas opiniões diversas vezes e vai criando um suspense crescente ao colocar o personagem principal em diversas situações inusitadas que fazem um misto de horror e humor. As atuações são fabulosas, principalmente a de Daniel Kaluuya. Em vários momentos, o roteiro pede que Kaluuya atue apenas com os olhos, e são nessas cenas que ele realmente impressiona pelo esforço. O carisma dele também ajuda demais na nossa identificação com o personagem, fazendo com que seja extremamente difícil ver outro ator nesse papel. 'Corra' é um raro filme de suspense onde além de uma trama bem construída, ainda temos uma forte crítica social muito bem discutida e desenvolvida, sem contar o senso de humor sensacional que carrega o filme do início ao fim. Certamente uma das sessões de cinema mais divertidas que já vivenciei. (Get Out. Dirigido por Jordan Peel. Com Daniel Kaluuya e Katherine Keener. Suspense. 104 min.) 

NOTA: 10

8 de jun de 2017

144. ALIEN: COVENANT (2017)

Quem aí é #TeamPrometheus? Eu sou desde o momento que vi o filme lá em 2014. Eu vi e revi a quadrilogia 'Alien' quando criança inúmeras vezes. 'Alien vs Predador' eu vi o 1º e preferi evitar o 2º. A vontade por um material de qualidade envolvendo o universo de Alien era enorme e 'Prometheus' me entregou isso. Já em 'Alien: Covenant' eu fui com a expectativa extremamente baixa, não sei o motivo, mas felizmente saí da sala muito mais que satisfeito. Alguns reclamam que os personagens são burros demais pra serem cientistas, mas vamos combinar que nem mesmo os do 'Alien' original eram. Os filmes da franquia não tentam emular a realidade, mas sim brincar e desenvolver o terror que aquelas criaturas trazem com elas. Não estou dizendo que o filme é perfeito, longe disso. O roteiro explica muitas coisas que não precisavam ser explicadas e tem furos que podem incomodar. Na minha opinião os defeitos são vários, mas as qualidade são tantas e tão bem trabalhadas que deixam os defeitos em terceiro plano. Os personagens e o desenvolvimento de alguns deles é muito interessante e cheio de diálogos inteligentes. O terror aqui é bem mais presente que em 'Prometheus' e as mortes são extremamente violentas e criativas. O design da criatura é bem interessante e relembra bastante a criatura original. O que mais me decepcionou foram algumas promessas que não foram cumpridas. Em certos momentos o filme dá a entender que todos os animais da ilha serviram de casulo para aliens, mas isso nunca é desenvolvido. O filme também mostra ovos, dando a entender que existe uma Rainha por ali, mas acaba jogando a informação de lado. No fim, 'Alien: Covenant' é um filme cheio de altos e baixos, com mais altos do que baixos. Suas qualidade são gritantes e seus defeitos são bobos. Um filme grotesco e assustador no melhor sentido das palavras. (Alien: Covenant. Dirigido por Ridley Scott. Com Michael Fassbender, Katherine e Waterston Billy Crudup. Ficção Científica / Horror. 122 min.) 

NOTA: 7

6 de jun de 2017

143. RINGU - O CHAMADO (1998)

Lá por volta de 2002, após ver 'O Chamado' pela primeira vez, fui atras de sua versão original e acabei ficando bastante decepcionado. Na hora de citar remakes melhores que seus originais, sempre vinha 'O Chamado' na minha cabeça. Recentemente revi o longa de Hideo Nakata e minha opinião não poderia ser mais diferente. Ainda considero a versão de Gore Verbinski um remake excelente, mas a verdade é que hoje enxergo a obra-prima que a versão original é. Digamos que 'O Chamado' é uma versão mais imatura de 'Ringu'. Enquanto 'Ringu' tem um ritmo mais calmo e seu suspense desenvolvido de forma mais lenta, 'O Chamado' já é mais frenético e segue uma narrativa mais convencional. Diferente do remake, 'Ringu' não tem efeitos especiais, não tem uma trilha sonora marcante nem uma fotografia avassaladora. No entanto, as atuações e, principalmente, o roteiro são os grandes destaques do filme. As informações são liberadas aos poucos e nem sempre é algo explícito. Esse é aquele tipo de filme que faz ter vontade de assistir de novo para pegar cada pista que a narrativa fornece. Enquanto no remake tínhamos um pouco de ação para dar um certo ritmo, aqui tudo é mais introspectivo. O remake se preocupa em explicar nitidamente todas as pistas, já no original algumas pistas são reveladas sem o uso de diálogos, fazendo com que o espectador se envolva muito mais na história. 'Ringu' até pode agradar a molecada, mas seu ritmo pode incomodar os mais acostumados com o horror americano. Este não é o famoso 'terror para adolescentes', na verdade está bem longe disso. Hideo Nakata criou um filme de terror pra gente grande, mais focado no desenvolvimento do roteiro do que em dar sustos. Um clássico do gênero que iniciou todo um novo movimento na cena de horror. (Ringu. Dirigido por Hideo Nakata. Com Nanako Matsushima. Suspense. 96 min.) 

NOTA: 9.5

3 de jun de 2017

142. KUBO E AS CORDAS MÁGICAS (2016)

Sou completamente apaixonado por animações, principalmente as feitas em stop-motion. Desde o dia em que assisti 'James e o Pêssego Gigante' passei a acompanhar todos os grandes lançamentos feitos com essa técnica. Nos últimos 10 anos Hollywood viu a ascensão do Laika, um estúdio de animação completamente focado na técnica de stop-motion. Entre os filmes produzidos por eles estão 'A Noiva Cadáver', 'Coraline', 'Paranorman' e 'Os Boxtrolls'. 'Kubo' é o projeto mais recente e, na minha opinião, só não é mais fraco do que 'Os Boxtrolls'. Visualmente 'Kubo' é absurdamente fantástico. Em um um mundo justo, o filme ganharia os Oscars de Melhor Fotografia, Figurino e Direção de Arte facilmente. Os cenários são lindos, os personagens cativantes e a animação nunca esteve tão fluída na tela. O problema de 'Kubo' é seu roteiro tosco, previsível e cheio de clichês. Sempre fui defensor do termo 'clichê' pois acredito que tudo é questão de como o clichê é inserido no filme. Os clichês de 'Kubo' incomodam pois o roteiro tenta fazer eles serem pontos de virada na narrativa e trata eles como surpresas. O problema é que as revira-voltas são óbvias e o modo como o roteiro constrói elas é mais óbvia ainda, fazendo as revelações soarem desnecessárias. Aqui também temos a clássica jornada do herói colocada na tela da forma mais convencional possível. Para aqueles que conhecem a jornada do herói, fica evidente por onde o filme vai se desenrolar, já que ele não quebra essa jornada em nenhum momento. Felizmente, o visual do filme é estarrecedor demais e faz com que esses problemas no roteiro sejam menos problemáticos. Nossa mente fica tão vidrada no visual que muitas vezes perdoamos o roteiro fraco. Ainda que o filme tenha muitas qualidades técnicas, é impossível não se incomodar com o modo como a história é desenvolvida. (Kubo and the Two Strings. Dirigido por Travis Knight. Com Charlize Theron e Ralph Fiennes. Aventura. 101 min.)

NOTA: 5.5

1 de jun de 2017

141. A CHEGADA (2016)

'A Chegada' é a ficção científica que eu queria ver faz anos. Desde sempre me perguntei por que os filmes nunca abordaram a comunicação como a parte principal e mais importante de um contato com extraterrestres. Em grande parte dos filmes os ETs já chegam entendendo inglês, ou muitas vezes eles simplesmente ignoram isso. O novo filme de Denis Villeneuve trata a comunicação como a maior dificuldade durante um possível contato, e o modo como o roteiro desenvolve isso é absurdamente original. O diretor conseguiu criar uma obra que brinca tanto com o realismo, quanto com o fantástico. Toda a base de operações é mostrada e retratada de forma bastante realista, já os encontros com os Heptapods (como são chamados os alienígenas no filme) são cenas incríveis, perfeitamente coreografadas e com efeitos especiais hipnotizantes. Amy Adams protagoniza o filme encarnando o papel de uma linguista que é chamada para ajudar na comunicação. A atriz consegue passar para o público toda a conexão forte que é estabelecida entre ela e os Heptapods.  É uma relação criada aos poucos e que resulta em um final extremamente emocionante e inesperado. Outro ponto positivo é a edição do filme, que consegue te enganar diversas vezes e te leva a um final estonteante e fora do comum. O modo com a narrativa é editada é algo de ser estudado em faculdades de cinema, pois o efeito causado é algo que raramente vi no cinema. 'A Chegada' é um filme visualmente perfeito, narrativamente original, cativante e com um desfecho de cair o queixo. Na minha humilde opinião, o melhor filme de 2016. (Arrival. Dirigido por Dennis Villeneuve. Com Amy Adams, Jeremy Renner e Forest Whitaker. Ficção Científica. 116 min.)

NOTA: 10