31 de mai de 2017

140. LA LA LAND (2016)

É mais tranquilizante falar de 'La La Land' após esse Oscar histórico. Tudo já começou com um estouro quando 'La La Land' recebeu o recorde de 14 Indicações ao Oscar, automaticamente colocando ele como o favorito da noite. Teve gente que odiou e muita gente que amou. Eu fiquei no meio termo, principalmente porque fui ao cinema esperando ver um musical. 'La La Land' não é isso, na verdade ele tem poucas músicas. Vendo o filme pela segunda e terceira vez, já sabendo o que esperar, entendi e apreciei muito mais ele. Emma Stone e Ryan Gosling já provaram que tinham uma química excelente no divertido 'Amor a Toda Prova', mas aqui a relação entre eles é muito mais intensa e cativante. A construção do romance é genuína e Emma Stone está apaixonante. Não concordo com sua vitória no Oscar, mas sua atuação em 'La La Land' é o ponto alto em sua carreira. Assim como em 'Whiplash' a trilha brinca bastante com o Jazz. Emma Stone me fez chorar na música 'Audition' nas 3 vezes em que vi o filme, até mesmo na primeira vez, quando eu não tinha gostado muito dele. Como já falei, 'La La Land' fica melhor a cada visita. Acredito que divulgar ele como um musical possa ter sido um equívoco pois o filme é claramente um romance com alguns poucos números músicas, em sua maioria instrumentais. Damien Chazelle criou um um romance bastante honesto em suas origens, assim como em seu destino, trazendo musicas para dentro de uma realidade brutal que todos nós conhecemos. 'La La Land' é pura poesia. (La La Land. Dirigido por Damien Chazelle. Com Emma Stone e Ryan Gosling. Romance / Musical. 128 min.) 

NOTA: 9.5

29 de mai de 2017

139. HUSH - A MORTE OUVE (2016)

Eu já falei de Mike Flanagan aqui no blog. Ele é o responsável por dirigir os filmes 'O Espelho', 'O Sono da Morte' e 'Ouija: Origem do Mal'. Três ótimos filmes de terror que brincam com os clichês do gênero ao mesmo tempo que apresentam ideias novas. Pra mim, 'Hush' é seu melhor trabalho até agora. A premissa por si só já é bastante interessante: Uma surda-muda que mora em uma casa isolada na mata é atacada por um psicopata. O esqueleto, a estrutura do roteiro é bastante básica e  talvez soe previsível para algumas pessoas. O filme todo se passa dentro da casa e não temos nenhuma grande revira-volta na trama. O interessante aqui são as situações criadas pelo roteirista com o intuito de ir elevando cada vez mais o suspense. A tensão é construída de forma bastante intensa e as entregas são extremamente satisfatórias. Para os amantes de gore, o filme tem uma certa quantidade de violência explícita que choca quando são expostas, devido ao realismo e a crueldade presentes nelas. A fotografia é escura na medida certa e consegue trabalhar o jogo de luzes e as sombras de um modo bastante inventivo e muito bem fotografado. O filme tem apenas 4 personagens, sendo Maddie (Kate Siegel) e o assassino (John Gallagher Jr.) os que aparecem do início ao fim. Kate nos entrega uma atuação inspiradora e cheia de nuances em sua expressões faciais. Já John constrói um dos vilões mais assustadores que já vi em filmes de terror. 'Hush' é mais uma prova de que Mike Flanagan está no caminho certo para se tornar um dos melhores diretores que o gênero já teve. Aqui ele traz um filme criativo que, apesar da trama básica, consegue construir uma sensação de medo e perigo como raramente vi em filmes.  (Hush. Dirigido por Mike Flanagan. Com Kate Siegel e John Gallagher Jr.  Terror. 81 min.)

NOTA: 9

9 de mai de 2017

138. SING STREET (2016)

De tempos em tempos surge aquele pequeno filme que encanta muita gente. 'Sing Street' pode entrar nessa lista facilmente. Aqui temos a história de Conor, um garoto que decide criar uma banda para impressionar uma garota que ele gosta. O roteiro segue uma fórmula bem básica e trabalha ela de forma bastante convencional. Os diálogos são inspirados e cheios de atitude, retratando perfeitamente os adolescentes dos anos 80. Por falar em anos 80, o diretor John Carney conseguiu desenvolver um visual perfeitamente oitentista. Normalmente quando um filme - principalmente de comédia - retrata os anos 80, tudo parece muito exagerado e colorido demais (mais que o normal). Aqui o visual é mais orgânico e condiz com a realidade. Existe sim aquele toque extravagante que os anos 80 esbanjava, mas tudo na medida certa sem parecer forçado. O elenco está sensacional. Não temos nenhuma atuação de cair o queixo, mas todos aqui são extremamente carismáticos e interpretam seus personagens de um modo cativante, certamente um dos pontos altos do filme. O elenco só não consegue ser melhor que a trilha sonora. Meu Deus do céu! Que trilha sonora incrível! As músicas que a banda fictícia de Conor toca são incrivelmente oitentistas e parecem ter sido tiradas daquela época. As letras são criativas e as batidas contagiantes. Uma das melhores trilhas sonoras que já ouvi, fácil! 'Sing Street' pode não ser aquele filme com um super roteiro, cheio de revira voltas. Também não é aquele filme cheio de atuações fortes e marcantes. 'Sing Street' é simples e vai direto ao ponto. É aconchegante e tem um senso de humor delicioso. Com um elenco cheio de carisma e uma trilha sonora formidável, 'Sing Street' é aquele tipo de filme que ninguém leva fé, mas acaba surpreendendo todo mundo. Um dos filmes mais fofos de 2016. (Sing Street. Dirigido por John Carney. Com Ferdia Walsh-Peelo, Lucy Boynton, Maria Doyle Kennedy, Aidan Gillen, Jack Reynor e Kelly Thornton. Romance / Musical. 106 min.)

NOTA: 8

7 de mai de 2017

137. GUARDIÕES DA GALÁXIA VOL. 2 (2017)

Quem aqui conhecia 'Guardiões da Galáxia' antes de 2014? Poucos, aposto. Talvez ninguém. Além disso, a versão do grupo que está no filme é bem diferente do que se vê nos quadrinhos. Ou seja, James Gunn pôde trabalhar no roteiro sem expectativa nenhuma, pois o grande público não estava ansioso por um filme dos 'Guardiões da Galáxia'. Agora ele trabalha com a expectativa do público, e mesmo assim ele conseguiu nos entregar um filme surpreendentemente divertido. Enquanto o primeiro lembrava 'Uma Nova Esperança', este aqui lembra 'O Império Contra-Ataca'. James Gunn divide os personagens em grupos e tem como tema principal a paternidade em si. Em termos de piadas, eu prefiro as do 'Vol. 1'. Aqui algumas me pareceram bastante forçadas e pouco inspiradas em certos momentos. Por outro lado, este aqui é mais emotivo e muito mais focado nos dramas pessoais de cada um dos personagem. O roteiro têm linhas narrativas diferentes pra cada um deles, todas embasadas em algum problema pessoal não revolvido. Visualmente ele é estonteante. Não tem tantos cenários diferentes, já que cada dupla se mantém nos mesmo lugares, mas a escala visual é enorme. A trilha sonora conversa muito mais com a narrativa do que o primeiro filme. Por outro lado, prefiro a seleção de músicas do outro filme. Não espere muitas conexões com o Universo Cinemático da Marvel. James Gunn construiu um roteiro bastante fechado e totalmente focado na interação entre personagens. Quem gostou de 'Guardiões da Galáxia' vai gostar igualmente deste 'Vol. 2'. Não consigo ver ele nem acima nem abaixo de seu antecessor. Ambos são filmes divertidos, engraçados, com personagens cativantes e cenas de ação surpreendentes. Mais um ponto pra Marvel! (Guardians of the Galaxy Vol. 2. Dirigido por James Gunn. Com Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Vin Diesel e Bradley Cooper. Aventura. 136 min.)

NOTA: 9

5 de mai de 2017

136. POWER RANGERS (2017)

Eu via 'Power Rangers' quando criança, mas não com muita frequência. Nunca fui fã, então isso fez eu entrar neste filme de mente totalmente limpa e aberta. Eu sei que a série era extremamente tosca (no bom sentido da palavra) e muitas coisas teriam que ser mudadas para conseguir convencer o público de hoje. O roteiro foca bastante em desenvolver os personagens e as relações entre eles. Na verdade o roteiro foca tanto nisso, que acabou sendo a melhor e a pior coisa do filme. Sinto muito decepcionar alguns, mas eles só aparecem como os Power Rangers em si somente no terceiro ato. Durante cerca de 90 minutos a trama é basicamente eles tentando morfar para conseguir derrotar Rita Repulsa. A vilã tem uma presença bastante ameaçadora e mostra ser um forte desafio para os Rangers. Na verdade ela é tão poderosa que ela poderia ter matado eles muito mais cedo, mas o roteiro acaba - muitas vezes - deixando isso de lado para poder desenvolver os cinco. Eu gostei muito de cada um dos Rangers e o modo como eles possuem passados bem turbulentos. A amizade entre eles soa verdadeira e vai aumentando gradualmente com o seguimento da narrativa. Por um tempo o filme consegue manter o suspense, mas chega uma hora que cansa. Pagamos um ingresso para ver os Power Rangers, já passou mais da metade do filme e nada. Quando eles finalmente aparecem, visualmente não soam muito interessantes. Algo ali não está certo e precisa ser revisto caso tenha uma sequência. Por outro lado, quando estão em batalha, as lutas são muito bem coreografadas e se mantem bastante fiéis à série original. No fim, acaba sendo decepcionante esperar tanto tempo para ver tão pouco. Pelo menos todo o desenvolvimento está perfeitamente estabelecido. (Power Rangers. Dirigido por Dean Israelite. Com Elizabeth Banks, Bryan Cranston e Bill Hader. Aventura. 124 min.)

NOTA: 6.5

3 de mai de 2017

135. FRAGMENTADO (2017)

A carreira de M. Night Shyamalan é cheia de altos e baixos. Talvez mais altos do que baixos, já que até nos seus trabalhos mais fracos é possível extrair algo de positivo. Depois de alguns filmes massacrados pela crítica, ele fez o divertido 'A Visita', um filme de baixo orçamento onde ele teve muito mais liberdade do que em outros filmes. O sucesso financeiro de 'A Visita' possibilitou que ele mantivesse esse controle criativo no seu projeto seguinte. A frase no poster de 'Fragmentado' por si só é interessante. O roteiro não dá muitas voltas e nos mostra as diferentes personalidades de Kevin já de início. Apenas 4 ou 5 são vistas no filme, o que dá a possibilidade de desenvolver outras personalidades numa possível sequência. James McAvoy faz aqui seu melhor trabalho como ator até hoje. Ele já tinha dado grandes performances antes, mas aqui ele explora cada uma das personalidades de forma bastante inconvencional e muitas vezes bastante diferente daquilo que esperamos. O roteiro de Shyamalan ajuda muito nisso, principalmente nos diálogos. Os ambientes são poucos, assim como as cenas de ação., o que faz os diálogos serem muito mais importantes. O foco é a relação que cada uma das personagens tem com a garota sequestrada, e essa relação é desenvolvida de formas bastante curiosas. É difícil falar do filme sem contar muito dele, já que todas as cenas são importantes para que o desenvolvimento e a antecipação continuem constantemente aumentando a cada minuto. Não espere uma grande reviravolta no final. Sim, o roteiro tem algumas viradas e ao final acaba sendo bastante honesto com aquilo que prometeu. Já o que vem depois, nos últimos 15 segundos de filme, coloca ele em um patamar muito mais interessante. Eu nunca havia visto uma reviravolta deste jeito no cinema e isso me deixou bastante surpreso. Finalmente, é tão bom poder dizer: Um dos melhores trabalhos de Shyamalan. (Split. Dirigido por M. Night Shyamalan. Com James McAvoy, Anya Taylor-Joy e Betty Buckley. Suspense. 117 min.)

NOTA: 9