17 de fev de 2017

122. OUIJA - A ORIGEM DO MAL (2016)

Eu sou um amante fervoroso do cinema de gênero, e é difícil um filme de terror me deixar decepcionado. Eu sempre procuro - e normalmente acho! - pontos positivos em filmes de terror, mas com 'Ouija - O Jogo Dos Espíritos', de 2014, foi difícil. O filme é tão ruim, mas tão ruim, que prefiro fingir sua inexistência. Acho que os produtores também pensam assim já que a sequência, 'Ouija - A Origem do Mal', ignora o primeiro filme e nos apresenta uma história totalmente nova. Inicialmente me empolguei com esse filme pelo fato de ter sido dirigido por Mike Flanagan, o mesmo de 'Hush - A Morte Ouve', 'O Espelho' e 'O Sono da Morte' (todos com crítica aqui no blog). Surpreendentemente o filme superou as minhas expectativas. Aqui temos mais um exemplo de uma trama que segue a risca uma fórmula de sucesso, dessa vez é a de 'O Exorcista', que já foi usada diversas outras vezes. Aqui Mike Flanagan mostra que domina muito bem o gênero ao criar cenas extremamente assustadoras e igualmente lindas, tudo isso com o uso excessivo de clichês muito bem trabalhados. A diferença entre o acabamento artístico do filme anterior e desta sua sequência é absurdamente chocante. Flanagan sabe como trabalhar a câmera e cria takes que lembram muito o cinema de Mario Bava, Lucio Fulci e principalmente Brian DePalma. 'Ouija - A Origem do Mal' é um filme que não apresenta nada de novo, mas brinca com aquilo que já está estabelecido no gênero. Um filme divertido e cheio de sustos imprevisíveis. (Ouija - Origin of Evil. Dirigido por Mike Flanagan. Com Elizabeth Reaser. Terror. 99 min.)

NOTA: 8

14 de fev de 2017

121. DOUTOR ESTRANHO (2016)

O ano de 2016 foi excelente para a Marvel. 'Capitão América - Guerra Civil' foi apresentado no início do ano e além de ter sido muito bem recebido pela crítica e público, ainda arrecadou mais de 1 bilhão de dólares nas bilheterias. Já em Novembro veio a introdução de mais um personagem ao universo. Interpretado com maestria por Benedict Cumberbatch, 'Doutor Estranho' é mais um excelente acerto para a Marvel. Aqui temos exatamente a mesma fórmula já vista em 'Homem de Ferro', mas isso não é algo ruim já que 'Homem de Ferro' é um baita filme. Basicamente toda introdução de personagem baseado nas histórias em quadrinhos segue a mesma fórmula, seja ele da Marvel ou da DC, então isso não me incomodou muito. Claro, concordo que o universo do Doutor Estranho têm um leque de inúmeras possibilidades e acabaram apostando na mais básica e convencional de todas. Acredito - e espero! - que numa possível sequência, a retratação do universo e dos personagens seja mais surtada, com mais elementos fantásticos e sobrenaturais.. O diretor Scott Derrickson criou um longa frenético , cheio de informações que avançam a narrativa constantemente, além de um visual estonteante que faz os olhos lacrimejar. Os efeitos especiais são alguns dos mais belos acertos desse ano, e talvez seja o melhor trabalho da Marvel nessa área. 'Doutor Estranho' parece um filme que já vimos antes, com vários macetes narrativos que a própria Marvel já usou antes. Combinando elementos de 'Homem de Ferro' e 'A Origem', o mais recente capítulo do Universo Cinemático da Marvel não decepciona e nos apresenta mais um excelente personagem. PS: Preparem-se para um dos finais mais inventivos que já vi em um filme de super-herói. (Doctor Strange. Dirigido por Scott Derrickson. Com Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Mads Mikkelsen e Tilda Swinton. Aventura. 115 min.)

NOTA: 9

10 de fev de 2017

120. ANIMAIS FANTÁSTICOS E ONDE HABITAM (2016)

Já começo dizendo que Harry Potter mudou minha vida de diversas maneiras e inclusive tenho uma tatuagem em homenagem a essas mudanças. Tanto os livros quanto os filmes fizeram parte do meu crescimento, então as expectativas para 'Animais Fantásticos' eram bastante altas. Detesto ir no cinema com expectativa tão alta assim, pois as chances de eu sair decepcionado do cinema são igualmente altas. Ainda bem que o filme não é decepcionante, mas ainda assim não é tudo aquilo que eu esperava. A parte boa é a construção do universo. Tudo ali tem o cheiro e o sabor de Harry Potter, você se sente no mesmo universo dos outros 8 filmes. Os personagens são cativantes e interessantes, mas as situações que eles vivem são mornas e pouco memoráveis. A parte técnica do filme é absurdamente incrível, principalmente os cenários e os figurinos (que estão indicados ao Oscar). Os efeitos são bonitos, mas não há nada de novo ou inovador. A trilha sonora cumpre seu propósito, mas senti falta de um tema marcante como os que John Williams criou para Harry Potter. No fim das contas 'Animais Fantásticos' é um filme ok em diversos pontos, nada ali impressiona mas também nada decepciona. Nos últimos minutos o filme tem uma revira-volta interessante que te faz sair do cinema bastante satisfeito e curioso para saber onde a trama vai parar. Um filme bom, mas que deixa aquele gostinho de que podia ser melhor. (Fantastic Beasts and Where to Find Them. Dirigido por David Yates. Com Eddie Redmayne. Aventura. 133 min.)

NOTA: 7

8 de fev de 2017

119. ROGUE ONE - UMA HISTÓRIA STAR WARS (2016)

Eu sou fã de Star Wars desde criança, mas não andava tão animado para 'Rogue One'. Com 'O Despertar da Força' eu basicamente não conseguia dormir de nervoso pela espera do filme na semana de estreia. Já com este primeiro spin off da série foi diferente, talvez por não saber o que esperar. Talvez a falta de expectativa foi o que me fez gostar tanto do filme. 'Rogue One' chega para mostrar que Star Wars ainda é relevante e não mais uma piada constantemente indicada ao Framboesa de Ouro. Dirigido por Garreth Edwards, o filme foca em expandir o universo e fazer os fãs vibrarem com diversos fan-services espalhados por todo lado. A história todo mundo já sabe pois é basicamente aquilo que os letreiros de 'Uma Nova Esperança' explicam. O roteiro é interessante e cria alguns arcos dramáticos interessantes. Os personagens são descartáveis e dificilmente irão aparecer novamente na série. Aqui o personagem principal é o próprio universo de Star Wars. O filme te faz vibrar com cada cena da Estrela da Morte, te faz urrar com as aparições de Darth Vader e mostra as clássicas naves de Star Wars de um modo como nunca vimos antes. Talvez alguns notem que ele fica um pouco lento na metade e podia ter uns 30 minutos a menos, mas o terceiro ato vem com tudo e acaba sendo o melhor final já visto em um filme da saga. Sério! 'Rogue One' é um festival de acertos, mas não é perfeito. Tem seus defeitos, mas nada que incomode. Um filme que afeta diretamente certos temas importantes da saga e que desenvolve o universo de forma inteligente. (Rogue One - A Star Wars Story. Dirigido por Garreth Edwards. Com Felicity Jones e Diego Luna. Aventura. 133 min.)

NOTA: 8.5

5 de fev de 2017

118. A AUTÓPSIA (2016)

A sensação de descobrir pequenas pérolas é um dos motivos pelo qual eu amo tanto o gênero terror. Todo ano tem aquele filme que surge do nada, sem criar grandes expectativas e que acaba sendo uma tremenda surpresa. Eu não li nada sobre esse filme, não vi o poster nem o trailer. De repente apareceu em algumas listas dos melhores de 2016, logo de cara chamou minha atenção. 'A Autópsia' é um suspense sobrenatural, com fortes elementos de horror, completamente ambientado em um necrotério. Pai e filho precisam fazer a autópsia do corpo de uma garota encontrada morta e enterrada em uma casa. No decorrer do processo coisas estranhas começam a acontecer. Este é aquele tipo de filme em que a tensão está presente desde o início e vai se intensificando com o desenrolar das coisas. Aqui não tem essa de começo parado, pois já de cara tudo começa a ficar estranho. O roteiro - escrito por 2 pessoas - talvez seja a melhor coisa do filme, já que os diálogos são excelentes e seguram a narrativa de forma muito competente. Brian Cox e Emile Hirsh possuem uma química ótima e dão um baita peso aos personagens. O diretor André Øvredal faz um trabalho inspirador ao criar uma ambientação claustrofóbica e ao mesmo tempo aproveitando cada centímetro dos poucos cenários para criar imagens lindas. Tecnicamente o filme é perfeito: a fotografia, a maquiagem, os efeitos. Tudo está lindo na tela e tem cara de superprodução. 'A Autópsia' é uma grata surpresa, o tesourinho escondido que 2016 nos trouxe. (The Autopsy of Jane Doe. Dirigido por Andre Øvredal. Com Brian Cox e Emile Hirsch. Terror. 86 min.)

NOTA: 8

3 de fev de 2017

117. O SONO DA MORTE (2016)

O diretor Mike Flanagan vem se tornando um dos melhores diretores de terror no mercado atual. Ele já dirigiu os excelentes 'O Espelho', 'Hush - A Morte Ouve' e 'Ouija - A Origem do Mal'. Talvez 'O Sono da Morte' seja seu filme mais fraco, mas ainda assim é um trabalho bastante curioso. A ideia do filme é genial! Jacob Tremblay interpreta um garoto cujos sonhos se tornam realidade, desde os sonhos bons até pesadelos. Cada vez que ele dorme, ele gera um sonho diferente que afeta diretamente o emocional dos seus pais adotivos. Infelizmente o roteiro não explora muito essa ideia e o filme fica na mesmice o tempo todo, mostrando o casal reagindo a diversos sonhos do garoto. Os personagens são bobos e o elenco não ajuda muito. Esse é aquele tipo de filme onde você passa o tempo todo se perguntando 'por que tal personagem não faz isso ou aquilo?' A impressão que dá é de que todos ali são meio burros pois ninguém toma um decisão coerente. Por outro lado o visual do filme é lindo, colorido e com efeitos especiais fantásticos. Acho que o filme está mais para fantasia do que terror em si, no entanto as cenas de terror funcionam muito bem e são realmente assustadoras. No geral, o filme tem mais pontos positivos do que negativos e acaba sendo uma experiência agradável, mas fica aquele ar de que poderia ter sido melhor. O diretor fez sua parte e acredito que o resultado final poderia ter sido muito pior em outras mãos. Mike Flanagan fez o melhor filme possível com um roteiro tão capenga. (Before I Wake. Dirigido por Mike Flanagan. Com Thomas Jane, Kate Bosworth, e Jacob Tremblay. Fantasia / Terror. 97 min.)

NOTA: 6

1 de fev de 2017

116. A BRUXA (2015)

O gênero horror é de fases. Basicamente a cada 10 anos o gênero se reinventa e a cada mudança surgem títulos que impressionam e que acabam sendo importantes pra essas re-invenções. A moda da vez é misturar terror com drama. Filmes como 'O Babadook', 'Deixe Ela Entrar' (também seu remake) e 'Sob A Sombra' são filmes recentes que se preocupam mais em desenvolver personagens e narrativa do que dar sustos ou chocar com a violência. Claro, os sustos e a tensão estão ali, mas nada é gratuito e tudo é construído de uma forma mais lenta nesses filmes. 'A Bruxa' segue esse estilo. Quem está esperando um terror frenético, cheio de violência, mortes e sustos, vai sair decepcionado. O filme tem sim uma leve dose de gore no final, mas todo o resto é calmo e ao mesmo tempo inquietante. O filme vai criando uma atmosfera incrivelmente incômoda, que vai se intensificando a cada minuto. Os personagens e suas motivações são muito bem explorados e o fato de os ideais de cada um se confrontarem gera cenas extremamente poderosas. O roteiro é perfeito em seus diálogos e no modo como as pistas vão sendo liberadas de formas nada convencionais. Além disso, o elenco inteiro está absolutamente incrível, nível Oscar. O visual do filme, que possui uma fotografia praticamente perfeita e o design de produção bastante simples porém eficaz ajudam com a construção da tensão. Um filme sensacional. Um clássico instantâneo do terror. 'A Bruxa' é aquele tipo de filme que vai ser lembrado por muitos anos. (The Witch. Dirigido por Robert Eggers. Com Anya Taylor-Joy, Ralph Ineson e Kate Dickie. Terror. 92 min.)

NOTA: 9