30 de nov de 2017

192. JOGOS MORTAIS: JIGSAW (2017)

De 2004 até 2010 foram lançados 7 filmes da franquia 'Jogos Mortais'. Todo ano tinha um filme novo e quando foi anunciado o último filme, lá em 2010, todo mundo já sabia que era só uma questão de tempo até a franquia retornar aos cinemas. Não demorou muito, apenas 7 anos. Chamado 'Jigsaw', este 8º filme não traz nada de novo, mantendo a mesma fórmula usada nos 7 filmes anteriores. Um grupo de pessoas acorda em um galpão e, uma a uma, vão morrendo em decorrência de várias armadilhas montadas pelo assassino Jigsaw. Ao mesmo tempo, um detetive investiga esse suposto retorno do assassino. Lendo essa sinopse básica, parece que estou descrevendo qualquer outro filme da franquia. O fato de darem um novo título para este filme me deu esperanças de que eles iriam modificar a fórmula e trazer algo novo, mas não foi o que aconteceu. Em contrapartida, o filme acaba funcionando levando em conta sua proposta. Os personagens são interessantes, as armadilhas bem criativas e gore é chocante. O que mais gosto nesses filmes é o tom de mistério e investigação que o núcleo policial traz. Acho interessante o modo como as investigações são conduzidas e como os plot twists são satisfatórios, mesmo que sejam extremamente absurdos. Se pegarmos a franquia 'Chucky' é notável que cada filme tem uma proposta diferente, apostando em temas e estruturas diferentes. É decepcionante que uma franquia sobre um boneco assassino consiga se manter criativamente mais volátil que os filmes da série 'Jogos Mortais'. O potencial que esses filmes têm é enorme, mas a falta de vontade em fazer algo diferente me deixa decepcionado. Por outro lado, ele cumpre o que promete e entrega sustos, violência e uma narrativa minimamente coerente. (Jigsaw. Dirigido por The Spierig Brothers. Com Matt Passmore, Callum Keith e Rennie Clé Bennett. Terror 92 min.) 

NOTA: 6

19 de nov de 2017

191. A VIGILANTE DO AMANHÃ - GHOST IN THE SHELL (2017)

Enquanto 'Warcraft' é o tipo de filme que se beneficia de um conhecimento prévio, acredito que 'A Vigilante do Amanhã' funcione com pessoas que não tem conhecimento algum da obra original, como eu. Vi muitos fãs reclamando da adaptação, talvez pelo fato de o anime/mangá serem absurdamente elogiados pela crítica e pelo público, o que fez as pessoas esperarem um novo clássico da ficção-científica. Confesso que pelo pouco que eu conhecia, também esperava um novo jovem clássico. Não foi o que aconteceu, mas no geral (assim como 'Warcraft') não é um filme ruim. Chamar 'A Vigilante do Amanhã' de 'ruim' ou 'lixo' é desmerecer o trabalho de várias pessoas que conseguiram acertar em vários aspectos do filme. A fotografia do filme é arrebatadora, nível Oscar. A mise-en-scène é perfeitamente criada, lembrando muito o visual de 'Blade Runner'. A direção de arte é igualmente fantástica, brincando com o neon e a sujeira que o futuro superpopuloso traz. A trama é simples, bem contada e nada ambiciosa. Não sei como funciona no anime, mas aqui senti falta de uma narrativa melhor desenvolvida. Tudo é jogado na cara, sem chances de fazer você pensar sobre o que está vendo. Todas as informações necessárias são ditas pelos personagens, tirando aquele sentimento de 'quero mais'. Scarlett Johansson está ok no papel principal, mas confesso que me incomodou o fato de terem escolhido uma americana. Se o filme fosse inteiramente ambientado na América e com personagens americanos, tudo faria sentido. Mas aqui todo o universo remete a um visual mais oriental, com personagens orientais (falando em japonês inclusive), fazendo Scarlett ficar bastante deslocada de tudo isso. Mas no geral 'A Vigilante do Amanhã' funciona como um passatempo despretensioso. Uma pena, já que tudo levava a crer que teríamos um novo clássico do sci-fi. (Ghost in the Shell. Dirigido por Rupert Sanders. Com Scarlett Johansson e Michael Carmen Pitt. Ficção Científica. 106 min.) 

NOTA: 7

17 de nov de 2017

190. WARCRAFT (2016)

Eu nunca joguei 'Warcraft'. Eu sabia da existência desse jogo e tinha noção da febre que ele era pois vários amigos meus jogavam. Porém, eu nunca me interessei pelo jogo, e o pouco que eu conhecia dele era de ver amigos jogando perto de mim. Foram anos de negociações e troca de diretores até o filme finalmente começar a ser feito. Tudo parecia estar se encaminhando da forma que deveria ser, porém quando o filme estreou veio a avalanche de críticas negativas. A verdade é que o filme está bem longe de ser ruim. Bem longe mesmo. Talvez ele funcione melhor para os fãs. já que muita coisa que aparece na tela não é muito bem explicada, fazendo o espectador fechar os pontos sozinho. O maior problema está no roteiro, que tenta criar uma história absurdamente épica em um longa rápido de menos de 2 horas. Tudo parece extremamente corrido e apressado. Existe pouco tempo de respiro e também pouco tempo para um desenvolvimento mais aprofundado dos personagens. Por incrível que pareça, os melhores personagens são os Orcs e também são os que tem o arco narrativo melhor construído. Por isso falo que talvez o filme funcione melhor com os fãs do jogo, já que eles possuem um conhecimento prévio de todo aquele universo. O visual do filme é incrível, os efeitos especiais são perfeitos e os personagens são cativantes. Só senti falta de uma história mais bem construída e personagens melhores escritos. O roteiro precisava de diálogos, muito mais diálogos entre os personagens para que pudéssemos conhecer cada um deles e se importar com a jornada que eles estão enfrentando. 'Warcraft' não é um filme ruim, mas é um filme que tinha potencial para muito mais. Você sente que o universo é extremamente rico em detalhes, mas faltou organização nas ideias para que o público em geral pudesse se identificar com os personagens e com a jornada. (Warcraft. Dirigido por Duncan Jones. Com Travis Fimmel, Paula Patton, Ben Foster, Dominic Cooper e Toby Kebbell. Aventura. 123 min.)  

NOTA: 7

15 de nov de 2017

189. LIGA DA JUSTIÇA (2017)

'Liga da Justiça' já é um dos filmes mais caros da história e também um dos mais difíceis de ser feito. A produção sofreu com diversos problemas pessoais por parte do elenco e da equipe, como o suicídio da filha do diretor e os problemas com bebida que Ben Affleck assumiu ter. Felizmente o filme não demonstra nada disso já que do início ao fim ele é uma grande e bem humorada aventura. 'Liga da Justiça' é sobre uma equipe, e é nesse quesito que o filme realmente brilha. Os personagens são muito bem escritos e funcionam entre si. As relações são bem exploradas e a química entre eles é excelente. O roteiro não tenta nada muito inovador, se mantendo na fórmula básica que a maioria dos filmes de super heróis se baseiam. Não existe protagonismo de nenhum dos personagens, já que todos ali tem tempo de tela suficiente para serem importantes para a narrativa. Flash é o alívio cômico e grande parte de suas piadas funcionam. Aquaman tem uma presença imponente, mas não creio que ele tenha uma grande importância para a narrativa. Cyborg tem uma importância bastante relevante no terceiro ato e fiquei feliz com isso, pois achei que o personagem seria colocado em segundo plano. A relação entre Bruce Wayne e Diana é bem curiosa. O vilão do filme talvez seja o maior problema, já que ele não representa uma grande ameaça. Quando a Liga finalmente luta com ele, não demora muito para chegarem à vitória. É notável que o filme recebeu diversos cortes. A narrativa está sempre em movimento e temos poucos espaços de respiro. Creio que uns 30 ou 40 minutos de filme tenham sido eliminados e eu gostaria de ver uma versão estendida no futuro. 'Liga da Justiça' é um ótimo filme que cumpre o que promete. Podia ser melhor? Podia! Mas mesmo assim, não deixa de ser um grande filme. (Justice League. Dirigido por Zack Snyder. Com Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Gal Gadot, Ezra Miller e Jason Momoa. Ação. 120 min.) 

NOTA: 8

2 de nov de 2017

188. CARROS 3 (2017)

Toda grande empresa tem seus defeitos e a da Pixar é 'Carros'. O primeiro filme é ok, mas bem abaixo da qualidade que a Pixar vinha alcançando. Já 'Carros 2' é indefensável, com diversos furos e uma narrativa sem sentido. Ou seja, acertar com esta franquia parece difícil. Este terceiro capítulo, na minha opinião, acabou se saindo bem melhor do que os 2 filmes anteriores, mas ainda assim não me parece um filme da Pixar. 'Carros 3' já começa com uma cena incrível, mostrando Relâmpago sofrendo um acidente. O restante do filme mostra as consequências desse acidente e como ele usa isso a favor de si mesmo. O roteiro é bem básico e cheio de temas sentimentais que soam um pouco forçado, principalmente pelo fato de já terem usado esse tipo de estrutura em vários filmes. Aqui toda a parte emocional soou um pouco maniqueista, mas assisti ao filme com minha sobrinha de 3 anos de idade e ela se emocionou bastante. O grande acerto dessa franquia são seus personagens, e aqui não é diferente. Todos continuam cativante e cheios de brilho, e os novos personagens são igualmente interessantes e bem escritos. Visualmente, achei este o mais bem construído da trilogia, com diversos cenários diferentes sendo explorados de várias maneiras diferentes. A trilha sonora não tem um grande destaque, apostando em temas que estão ali apenas para acentuar a emoção das cenas. É difícil falar da franquia 'Carros', pois ao mesmo tempo que ela tem muitas coisas boas, ela também tem muitas coisas ruins. Em 'Carros 3', não é diferente. Muita coisa parece deslocada ali, mas a grande maioria funciona de um jeito delicioso. É uma aventura colorida, engraçada e com uma narrativa fácil e divertida. O melhor da franquia até agora. (Cars 3. Dirigido por Brian Fee. Com Owen Wilson, Cristela Alonzo e Chris Cooper. Aventura. 102 min.) 

NOTA: 7.5

30 de out de 2017

187. O EXORCISTA (1973)

Quando pensamos nos maiores clássicos do horror, é impossível não lembrar de 'O Exorcista'. Mesmo aqueles que nunca viram o filme irão citar ele. Ás vezes me pergunto se o filme ainda funciona atualmente. Recentemente o Cinemark exibiu ele e tomei essa oportunidade como um experimento de notar como as pessoas reagem atualmente ao filme. A verdade é que o filme envelheceu absurdamente bem, se assemelhando muito com o tipo de horror que está sendo feito hoje em dia. Filmes como 'Babadook', 'A Bruxa' e 'Ao Cair da Noite' são alguns exemplos dessa nova leva do gênero, onde o horror é muito mais tratado como um drama. E na verdade o terror é isso. Quando vivenciamos alguma situação de horror na nossa vida, sempre enxergamos ela como uma situação dramática. 'O Exorcista' é isso... é um filme de horror visto por uma ótima de puro drama. Toda situação é acompanhada pelos olhos de uma mãe desesperada em saber o que está acontecendo com sua filha. Tirando toda parte da possessão e focando apenas na mãe, é incrível que o roteiro consegue criar uma narrativa assustadoramente dramática ao nos colocar na pele dessa mãe que entra em desespero ao não saber o que se passa com sua filha. As situações e os diálogos são tão realistas e naturais que beiram ao desespero, já que é agoniante ver o que essa mulher passa durante sua busca por respostas. O grande triunfo desse filme é sua narrativa em constante crescente, aumentando cada vez mais a tensão e culminando em um final absurdamente épico e satisfatório. O grande problema da maioria dos filmes de horror é que eles não entregam um final que vai de acordo com o que foi apresentado. Já aqui, William Peter Blatty nos presenteia com um terceiro ato realmente assustador. Nessa minha ida ao cinema, 'O Exorcista' se mostrou extremamente atual. A sala estava lotada e a tensão podia ser sentida no ar. Continua um filme avassalador. (The Exorcist. Com Ellen Burstyn, Linda Blair e Max von Sydow. Terror / Drama. 132 min.) 

NOTA: 10

25 de out de 2017

186. THOR: RAGNAROK (2017)

Vejo muita gente reclamando da fórmula Marvel, alegando que a mesma já esgotou e cansou. Na minha opinião, é incrível que um estúdio tenha achado uma fórmula pessoal para o sucesso e desenvolva essa fórmula de diversas maneiras diferentes, dependendo da narrativa que é proposta. A verdade é que a Disney criou uma fórmula para seus desenhos nos anos 30 e só foi reinventar essa fórmula recentemente com 'Frozen'. Os filmes de romance possuem uma fórmula bem clara, usada desde os anos 30 e que ainda funciona. O gênero terror também segue uma fórmula que ainda gera excelentes títulos. Então não entendo esse pessoal que reclama da fórmula Marvel, alegando que já cansou, quando o estúdio tem apenas 10 anos. Se você é do time que reclama do excesso de cores e piadas nos filmes da Marvel, esse filme definitivamente não é para você. Parece que Kevin Feige pegou os comentários dos haters e decidiu fazer um filme exatamente do jeito que eles não gostam, e fazendo isso agradou todos aqueles que adoram o estilo dos filmes da Marvel. 'Thor: Ragnarok' é um filme totalmente a parte e que não precisa dos 2 primeiros para desenvolver sua narrativa. O filme é bastante focado na relação entre Thor e Hulk, gerando alguns dos momentos mais engraçados que o estúdio já criou. A vilã é muito interessante e já figura entre alguns dos mais marcantes que a Marvel já trouxe (o que não é difícil). Taika Waititi criou um filme com a cara da Marvel, mas sem perder a essência dele mesmo como diretor. Quem já viu outros trabalhos do cara irá notar o mesmo tipo de humor ali. Visualmente estonteante e narrativamente divertido, 'Thor: Ragnarok' é um filme que só tem apenas 1 propósito: divertir. E ele consegue fazer isso com maestria. As mais de 2 horas passam voando e a sensação ao final é de que você acabou de vivenciar algo realmente divertido e empolgante. (Thor: Ragnarok. Dirigido por Taika Waititi. Com Chris Hemsworth, Tom Hiddleston, Cate Blanchett e Mark Ruffalo. Aventura. 130 min.) 

NOTA: 8.5

23 de out de 2017

185. O TÚMULO DOS VAGALUMES (1988)

As animações do Studio Ghibli são conhecidas pelo tom aventuresco e pela fofura de suas narrativas. Tendo isso em mente, nem parece que 'O Túmulo dos Vagalumes' é um filme do Ghibli. O filme conta a história de Seita e Setsuko, um garoto e sua irmãzinha que passam por diversos perrengues durante a Segunda Guerra Mundial. Em meio a tantas coisas ruins que acontecem com os personagens, eles ainda conseguem arranjar algum tempo simplesmente para serem crianças, gerando algumas das cenas mais lindas do filme. O roteiro aborda a guerra pela visão mais inocente possível, a das crianças que não estão ligando para os motivos disso tudo, nem para quem são as pessoas que estão atacando. Eles só querem sobreviver e serem felizes. A primeira cena do filme já nos mostra que ambos não irão sobreviver a isso tudo, mesmo assim a narrativa e esses personagens são tão envolventes que é impossível não se emocionar com as situações que eles passam. Talvez este seja o filme mais honesto com o verdadeiro sentimento que uma Guerra trás para uma nação. Estamos acostumados a vermos o lado dos soldados, ou dos judeus, mas raramente somos colocados nos olhos de uma criança que tem uma perspectiva totalmente inocente a respeito disso tudo. E é incrível como o roteiro de Isao Takahata está sempre te lembrando que são apenas crianças, criando cenas em que os irmãos só querem brincar e ter um pouco de diversão, mesmo quando a vida deles está em ruínas. 'O Túmulo dos Vagalumes' não é aquele tipo de filme que te faz chorar no final... ele te faz chorar o filme inteiro, desde o início. É um retrato cruel, porém honesto, dos verdadeiros estragos de uma Guerra. Um olhar inocente que deixa o coração de qualquer pessoa em pedaços. (Hotaru no haka. Dirigido por Isao Takahata. Drama. 89 min.) 

NOTA: 10

21 de out de 2017

184. TEMPESTADE: PLANETA EM FÚRIA (2017)

Já aviso que sou fanático por filmes que destroem o planeta Terra. Sei que a maioria possui tramas absurdas e muitas vezes risórias, mas - na minha opinião - o valor de entretenimento nesse tipo de filme tende a ser grandioso. 'Tempestade' é o mais recente filme que aborda a destruição em massa do planeta e, infelizmente, é um dos títulos mais fracos que esse título já recebeu. A premissa é interessante e, no geral, convence. Toda essa narrativa que aborda a destruição como um ataque terrorista é bem desenvolvida e os motivos dado pelo vilão tem algum sentido. O problema é que o longa de Dean Devlin foi vendido com um 'filme desastre' e, na verdade, as cenas do desastre em si são bem rápida e construídas de forma vergonhosa. Os efeitos estão ótimos, como já era de se esperar, mas não existe o senso de urgência. O filme gasta mais da metade de seu tempo tentando criar uma certa expectativa para os inevitáveis momentos de destruição, mas eles falham miseravelmente. '2012' de Roland Emmerich tem uma narrativa fina e sem muitas camadas, mas o senso de urgência nesse filme é sensacional, te deixando na ponta da cadeira durante as quase 3 horas de filme. 'Tempestade' tem menos de 2 horas mas o filme parece muito mais longo justamente por essa falta de urgência na narrativa. Quando finalmente a destruição começa, ela acaba antes mesmo de começar a ficar legal. Basicamente todas as cenas de destruição já estão no trailer, deixando pouco espaço para coisas novas. Infelizmente Dean Devlin (produtor de filmes como 'Independence Day' e 'Godzilla') não conseguiu transpor o mesmo senso de urgência de filmes como os de Roland Emmerich, mas ele até que consegue criar uma trama minimamente interessante. É um filme totalmente esquecível e sem graça alguma. (Geostorm. Dirigido por Dean Devlin. Com Gerard Butler. Ação. 109 min.)  

NOTA: 4.5

13 de out de 2017

183. A MORTE TE DÁ PARABÉNS (2017)

A fórmula adotada aqui já foi usada diversas vezes em filmes como 'Meia-Noite e Um', 'Feitiço do Tempo', 'Contra o Tempo' e 'No Limite do Amanhã'. E é interessante notar que essa fórmula geralmente rende bons resultados. Dessa vez esse estilo de narrativa em loop foi usada em um slasher, gerando um dos filmes mais divertidos do ano. Theresa é uma clássica garota popular, arrogante e um pouco bitch. Ela acaba sendo assassinada e no mesmo instante acorda novamente na manhã do mesmo dia. E assim o mistério começa, com a personagem procurando um jeito de sobreviver ao mesmo tempo que tenta descobrir quem está tentando matá-la. O roteirista tem uma extensa experiência em quadrinhos, e isso fica claro aqui nesse filme com o modo com a fantasia de toda situação é abordada. Em nenhum momento a personagem tenta descobrir por que isso está acontecendo com ela, e na verdade isso acaba não sendo importante. O foco principal é ela tentar sobrevier, acreditando que isso irá parar o loop. Claro que em um roteiro que adota esse estilo é difícil não ter furos, pois as possibilidades são absurdamente imensas. Mas ao contrário de outros filmes com o mesmo tema, onde o foco está justamente em descobrir como e por que isto acontece, aqui a narrativa se preocupa mais em divertir e criar situações inusitadas. Ao mesmo tempo que o roteiro não arrisca em muita coisa, ele consegue ser divertido com os desafios que vão sendo criados para a protagonista. 'A Morte te dá Parabéns' (ótimo título nacional, inclusive melhor que o original) é um filme de horror com diversos elementos de comédia que certamente irá divertir quem procura uma experiência despretensiosa e pra cima. Bons personagens, muito bem interpretados, em uma história desenvolvida de um jeito bastante satisfatório. (Happy Death Day. Dirigido por Christopher B. Landon. Com Jessica Rothe e Israel Broussard. Terror / Comédia. 96 min.) 

NOTA: 7.5

11 de out de 2017

182. MÃE! (2017)

Darren Aronofsky é um gênio! Seu mais novo projeto, 'Mae!' certamente é uma das experiências mais incríveis que já vivi num cinema. Algumas pessoas saíram no meio da sessão, e ao fim do filme, aqueles que ficaram permaneceram sentadas quando as luzes se acenderam. Era visível que o filme tinha deixado sua marca em todos que estavam ali. Aqueles que se deixarem embarcar nessa loucura, perceberão facilmente que a história nos mostra a relação que Deus e a Mãe Natureza têm com o Planeta Terra. Tudo isso encenado em um roteiro recheado de alegorias e metáforas. Não é tão complicado captar essa proposta quando os personagens insistem em repetir as palavras 'criador' e 'paraíso'. Jennifer Lawrence está reformando a casa que vive com seu marido quando começam a receber visitantes desconhecidos e inesperados. A casa é uma representação do Planeta Terra e os visitantes são a humanidade. A partir daí o caos toma conta e o roteiro de Aronofsky enche o filme com diversas críticas religiosas e, principalmente, ao comportamento humano. Ele demonstra, em uma das cenas mais chocantes, o que o fanatismo pode causar (seja pela religião ou até mesmo por uma pessoa específica). Faz uma clara crítica com o nosso abuso e falta de respeito com a água quando um casal insiste em se apoiar e brincar numa pia, e a consequência disso nada mais é do que a fúria e raiva da Mae Natureza se rebelando com todos que estavam desrespeitando ela. Javier Bardem interpreta um escritor, que nessa leitura bíblica representa Deus. O personagem é desenvolvido de forma genial, retratando sua constante busca por mais adoradores e tentando atender a todos. É impossível fazer uma mini crítica de 'Mãe!' sem sentir que ela está incompleta. É um projeto genial e corajoso de Darren Aronofsky. Certamente um dos melhores do ano e um dos mais originais que já vi na vida. (Mother! Dirigido por Darren Aronofsky. Com Jennifer Lawrence e Javier Bardem. Drama / Terror. 121 min.) 

NOTA: 10

9 de out de 2017

181. AMITYVILLE - O DESPERTAR (2017)

A franquia 'Amityville' certamente é a mais fraca que existe no gênero horror. O primeiro, de 1979, não é grande coisa e não entendo por que acabou sendo taxado de clássico. É um filme longo, onde pouca coisa interessante acontece, e as atuações são bem fracas. O segundo acabou sendo um pouco melhor, e depois disso só veio bomba. O remake de 2005 tem elementos de entretenimento mais satisfatórios que os do filme original, mas ainda assim peca por não tratar essa história com o realismo que ela pede. Pode ser difícil de acreditar, mas este 'Amityville - O Despertar' acabou sendo o melhor capítulo da franquia, o que não é algo difícil. Aqui temos a história de uma família que se muda para a famosa casa com o fim de tratar o problema de saúde de James, um garoto que está em coma. A partir daí sua irmã começa a ter estranhas sensações na casa e acaba descobrindo o passado dela - até mesmo é apresentada aos filmes que fizeram sobre a casa onde mora (um dos momentos mais legais). 'O Despertar' ganha méritos pelo clima de tensão crescente, que resulta em um final satisfatório e pelos personagem com um mínimo de desenvolvimento. Não é nenhuma obra-prima, e o filme nem sequer tenta ser isso. O roteiro é recheado de clichês, os personagens tem diálogos toscos, mas no geral ele acaba sendo melhor do que todos os outros da franquia 'Amityville'. É estranho reclamar tanto, mas ainda assim se sentir satisfeito com ele. Talvez pela minha falta de expectativa isso acabou sendo algo positivo. Então eu recomendo assistir este filme sem muita expectativa, esperando apenas ver uma história ok - no máximo. O passado dessa casa é assustador, e acredito que ainda está por vir o filme definitivo dessa franquia mal aproveitada. (Amityville: The Awakening. Dirigido por Franck Khalfoun. Com Jennifer Jason Leigh e Bella Thorne. Terror. 85 min.) 

NOTA: 6.5

7 de out de 2017

180. O ILUMINADO (1997)

Quem me conhece sabe que não sou grande fã do filme que Stanley Kubrick fez em 1980, e já falei sobre isso aqui. O próprio Stephen King, insatisfeito com o modo como a história foi transposta para o cinema, acabou escrevendo e produzindo sua própria versão: uma minissérie de 4 horas e meia dividia em 3 capítulos de 90 minutos. Diferente de outras produções feitas para a TV nos anos 90, esta versão de 'O Iluminado' realmente parece uma grande produção para o cinema. Ele é bem fotografado, tem cenários lindos e uma trilha sonora assustadora. Narrativamente, o roteiro explora muito mais os dramas que aquela família viveu no passado e que ainda os assombram. As atuações são aceitáveis, mas ainda assim poderia ter algumas escalações melhores. Steven Weber está magnífico como o pai de família Jack Torrance. Diferente do filme de 1980, aqui temos um Jack que aparenta ser uma pessoa normal e um bom pai no início do filme. É perceptível que ele é uma pessoa que está fazendo de tudo para ser do bem. A mudança na sua personalidade após a chegada no hotel é feita gradativamente e de forma bastante natural. Rebecca DeMornay não decepciona, mas está bem melhor que Shelley Duvall e sua atuação patética. Danny talvez seja o único personagem que merecia um ator mais expressivo já que o roteiro pede isso. É chato ficar comparando com a versão do Kubrick, mas é impossível não fazer isso já que esta versão nada mais é do que uma resposta aos fãs que ficaram decepcionados com o jeito que a história foi tratada naquele filme. A direção de Mick Garris é praticamente imperceptível, já que o destaque é sim o roteiro de Stephen King. 'O Iluminado' é uma minissérie que cumpre aquilo que promete, mas tem suas falhas - principalmente no modo como tudo é dirigido. É um projeto ambicioso e que conversa muito mais com os leitores da obra original. (The Shining. Dirigido por Mick Garris. Com Steve Weber e Rebecca DeMornay. Suspense. 273 min.) 

NOTA: 9

5 de out de 2017

179. BLADE RUNNER 2049 (2017)

'Blade Runner', longa de 1982, certamente é um marco da ficção-científica, e assim como a maioria dos clássicos do gênero, não é o tipo de filme que agrada a grande massa. Ele não é difícil de entender, mas o ritmo lento e contemplativo acaba afastando muitos que esperavam um filme de ação recheado de cenas frenéticas. Talvez este novo filme também acabe sofrendo do mesmo mal. Com quase 3 horas de duração 'Blade Runner 2049' mantém o ritmo lento do original, com um mistério tendo suas pistas reveladas pouco a pouco, e de formas que fazem o espectador pensar. O filme aborda temas universais, existentes desde o início dos tempos e que até hoje gera discussões: quem somos nós, de onde viemos. Pode parecer um tema tosco, mas o roteiro de Hampton Fancher e Michael Green explora a consciência de Joe, um replicante que acaba se deparando com uma investigação que acaba revelando alguns segredos sobre seu passado. Durante essa jornada ele acaba conhecendo a si mesmo de uma forma que ele jamais esperaria. A duração do filme em si já sugere uma narrativa lenta, mas a verdade é que os 165 minutos são bem preenchidos, tendo poucos elementos narrativos que poderiam ser eliminados. Dennis Villeneuve conseguiu criar uma obra que claramente soa como uma sequência de 'Blade Runner', com sua trilha épica, o futuro distópico, a fotografia cheia recheada de neon e - mais uma vez - o ritmo lento. Ainda assim, o diretor consegue imprimir nisso tudo sua marca pessoal, deixando claro que este é um filme de Dennis Villeneuve. 'Blade Runner 2049' é um clássico instantâneo! É aquele tipo de filme que poderia facilmente dar errado, mas nas mãos certas acabou sendo um dos melhores filmes que o gênero que já recebeu. (Blade Runner 2049. Dirigido por Dennis Villeneuve. Com Ryan Gosling e Richard Gere. Ficção Científica. 164 min.) 

NOTA: 8.5

20 de set de 2017

178. A PRINCESINHA (1995)

Apesar de já existir uma versão filmada em 1935 de 'A Princesinha', este filme de 1995 não é um remake, mas sim uma outra adaptação do mesmo livro. Este é apenas o segundo longa de Alfonso Cuarón, que mais tarde iria dirigir 'Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban' e ganhar o Oscar por 'Gravidade'. A Warner Bros. Family Entertainment - uma divisão com projetos mais familiares da Warner - estava há apenas 2 anos no mercado e muitos acreditam que ela foi criada para pegar carona na retomada do sucesso do cinema infantil no início dos anos 90. 'A Princesinha' grita Disney! Toda sua estrutura narrativa se assemelha muito com diversos desenhos da Disney, e isso é um grande elogio. Cuarón conseguiu reunir um excelente elenco de garotas extremamente talentosas expressivas. A carreira de Liesel Matthews foi curta e antes deste filme ela nunca tinha feito algo do tipo. Apesar disso, sua atuação é charmosa e cativante, muitas vezes transbordando maturidade. Outro grande destaque é a fotografia de Emmanuel Lubezki, hoje detentor de 3 Oscars de Melhor Fotografia, aqui foi onde ele teve sua primeira indicação. O visual brinca com os tons de verde ao criar uma fotografia em grande parte bastante aconchegante. O roteiro se utiliza de diversas coincidências que também estão no livro original, mas pode causar estranhamento para aqueles mais chatos. Ao meu ver, a direção magnífica de Alfonso Cuarón consegue manter um pé na realidade e outro na fantasia, mesmo que o filme não tenha nada de um universo fantástico. Isso faz com que certas coincidências soem mais como belas resoluções de um conto de fadas. 'A Princesinha' é ágil, divertido, engraçado e um deleite para os olhos. Um dos maiores clássicos do cinema infantil. (The Little Princess. Dirigido por Alfonso Cuarón. Com Eleanor Bron e Liesel Matthews. Drama. 97 min.) 

NOTA: 9

18 de set de 2017

177. IT - A COISA (2017)

Como é bom ver um filme como 'It - A Coisa' sendo o sucesso que está sendo nos cinemas. Stephen King escreveu o livro nos anos 80 e já no início dos anos 90 tivemos uma minissérie em 2 capítulos de 90 minutos dirigida por Tommy Lee Wallace. Esta versão fez um bom trabalho em condensar o material de mais de 1000 páginas, porém a falta de verba ficava evidente em diversos efeitos especiais toscos que envelheceram com o tempo. Esta nova adaptação dirigida por Andy Muschietti aborda apenas a primeira metade do livro e retira o estilo 'flashback' em que a história é contada. São mais de 2 horas de filme para contar o que a minissérie abordou em apenas 90 minutos. Isso sem falar nos 35 milhões de dólares que se mostram bem investidos, já que o filme tem cara de super produção, com diversos efeitos bem executados e um visual bastante polido. O interessante em 'It' é que os sustos não estão ali gratuitamente, pois eles aparecem para desenvolver os personagens ao mostrar algum medo ou trauma que eles têm na vida. É impossível apontar uma só grande qualidade, já que tudo funciona em total sincronia. O design do palhaço e das criaturas são incríveis, o elenco é absurdamente fantástico, e tudo isso funciona graças ao roteiro e a direção. Gostei que aqui temos uma trama de terror protagonizadas por crianças, mas em nenhum momento o diretor trata este como um filme para crianças, tendo coragem de criar cenas altamente violentas e que chocam pela veracidade. 'It - A Coisa' é, na minha opinião, o melhor filme de 2017 até agora. É divertido, lindamente filmado, muito bem escrito, com um elenco fabuloso e cheio de sustos. Um projeto memorável, um clássico instantâneo do horror. (It. Dirigido por Andy Muschietti. Com Bill Skarsgård. Aventura / Terror. 135 min.)  

NOTA:10

1 de set de 2017

176. 47 METROS PARA BAIXO (2017)

Nos últimos anos a gente têm visto uma enxurrada de filmes de terror sobre tubarões e surpreendentemente vários são bem acima da média. Filmes como 'Águas Rasas', 'Perigo em Alto Mar' e 'Bait' são alguns bons exemplos desse sub-gênero. '47 Metros Para Baixo' é mais um que - facilmente - entra nesta lista. O longa de Johannes Roberts conta a história de 2 irmãs que decidem ir nadar com tubarões no México. O cabo da gaiola acaba se rompendo, fazendo elas irem direto para o fundo do mar. A partir daí o diretor consegue construir um clima tenso que funciona, apesar dos exageros, graças aos efeitos especiais muito bem executados. O roteiro aposta num breve contexto emocional logo no início do filme, algo que poderia ser desenvolvido ao longo da narrativa. Talvez tais dramas pessoais deixassem tudo muito meloso, mas a citação desses problemas apenas no início dão a impressão de que a informação ficou totalmente solta na história. Tirando isso, praticamente todo o resto funciona perfeitamente. O filme é frenético e eles não param de criar situações absurdas para manter o ritmo em movimento. '47 Metros Para Baixo' precisa que você quebre sua suspensão de descrença para ser devidamente degustado. Nada de ficar pensando 'ah, mas isso jamais aconteceria na vida real', pois talvez não acontecesse, mas a direção de Johannes Roberts se mostra excelente justamente na hora de criar a tensão em cima dessas cenas "absurdas", mas que não soam tão absurdas quando você se permite a entrar na situação. Tudo aqui é tenso tenso, empolgante e cheio de sustos. Uma adição memorável para a lista dos melhores filmes de tubarões. (47 Meters Down. Dirigido por Johannes Roberts. Com Claire Holt e Mandy Moore. Terror. 85 min.)

NOTA: 8.5

30 de ago de 2017

175. A TORTURA DO SILÊNCIO (1953)

Alfred Hitchcock é de longe meu diretor favorito. Acho que já vi 90% da filmografia dele, tirando alguns trabalhos da época do cinema mudo. Não sei por que sempre evitei 'A Tortura do Silêncio', talvez pelo fato de eu nunca ver as pessoas falando sobre ele. Quando ouvimos falar em Hitchcock, normalmente é citado 'Psicose', 'Um Corpo Que Cai', 'Janela Indiscreta', 'Os Pássaros', entre outros. Mas nunca citam 'A Tortura do Silêncio', o que é uma enorme injustiça. Fui vê-lo apenas porque encontrei o DVD perdido em um sebo. Fiquei tremendamente satisfeito com o filme, se tornando um dos meus favoritos do diretor. Temos aqui um exemplo perfeito de como Hitch constrói um bom suspense, usando e abusando de várias técnicas que são distribuídas elegantemente ao longo da narrativa. Neste filme temos um Padre que acaba ouvindo a confissão de um assassino no confessionário. Com o início das investigações, todas as pistas apontam para o próprio Padre como suspeito, mas o mesmo não quer quebrar sua ética e relatar uma conversa que aconteceu no confessionário. Hitchcock é mestre em criar suspense, e aqui fica evidente algumas de suas artimanhas. Ele normalmente coloca um personagem que sabe mais do que o resto, neste caso é o protagonista Padre Logan, e apartir daí constrói diversas situações que quase deixam a verdade escapar. O roteiro impressiona pelo excelente desenvolvimento da persona do Padre, mostrando a importância que ele dá a sua profissão e como ele respeita seus valores éticos. Com apenas 95 minutos, 'A Tortura do Silêncio' é um longa rápido e ágil, mesmo sendo apenas diálogos, sem nada de ação. É um filme carregado pela atuação fantástica de Montgomery Clift e pela habilidade de Hitchcock em criar um bom suspense. Um dos melhores exemplos do talento de Hitchcock e um dos filmes mais intrigantes que já vi. (I Confess. Dirigido por Alfred Hitchcock. Com Montgomery Clift. Suspense. 95 min.) 

NOTA: 10

28 de ago de 2017

174. O DEMÔNIO DE NEON (2016)

Nicolas Winding Refn entregou em 2011 o filme 'Drive', alavancando sua carreira e se tornando um dos diretores mais promissores. Não foi seu primeiro longa, e olhando sua filmografia dá pra ver que o cara é cheio de altos e baixos. 'The Neon Demon' é um perfeito exemplo de sua carreira. Terror disfarçado de drama, o filme explora a chegada da modelo Jesse em Los Angeles. Com apenas 17 anos, ela se vê jogada numa indústria onde a ganância e a inveja reinam juntas, transformando a vida e a personalidade dela. No geral, o filme parece ser um terror da vida real, mostrando as maldades que as pessoas são capazes de fazer para não perderem seu posto no topo. Mas ele também nos joga algumas cenas bizarras, fazendo nós acreditarmos que tudo se passa de algo sobrenatural, talvez satânico. O roteiro e a direção de Refn conseguem manter essa resposta no ar durante boa parte da narrativa, graças ao modo como essas cenas são apresentadas e filmadas. O filme peca no excesso de cenas que não acrescentam nada à história, a não ser uma certa satisfação visual, já que todas os takes são dignos de serem enquadrados e colocados na parede. Na verdade, boa parte do meu interesse só se manteve devido ao visual incrível, pois a narrativa é fina e os personagens fracos. Elle Fanning faz o melhor que pode com o pouco que lhe é dado. A garota manda muito bem, mas novamente senti falta de um desenvolvimento mais profundo. No final das contas 'The Neon Demon' é um filme com um tema interessante, perfeitamente filmado, mas porcamente escrito. Faltou história e faltou personagens. Por muito pouco não foi uma experiência frustante. Recomendo 'Starry Eyes', filme de terror com o mesmo tema, mas com um desenvolvimento tremendamente satisfatório. (The Neon Demon, Dirigido por Nicolas Winding Refn. Com Elle Faning. Terror / Drama. 117 min.) 

NOTA: 6

26 de ago de 2017

173. VELOZES E FURIOSOS 8 (2017)

Já escrevi sobre a 'Velozes e Furiososaqui, aqui e aqui. Sou fã declarado da franquia e não tenho vergonha disso. Quando ela tentava se levar a sério - com suas tramas relacionadas a rachas - os filmes não pareciam funcionar muito bem, mas claramente algo aconteceu nos bastidores na transição do 4º para o 5º capítulo. É uma mudança enorme de ritmo e clima que deu uma nova cara para a franquia. Eles passaram a não se levar tão a sério e a apresentar cada vez melhores cenas de ação. Do 5º filme até este aqui, não tem um que não seja ao menos divertido. Os personagens continuam porcamente escritos, mas possuem um carisma de dar inveja a outras franquias, isso sem contar a química entre eles que funciona melhor que em muito blockbuster por aí. Este oitavo capítulo, ao mesmo tempo que dá sequência à história do longa anterior, parece iniciar uma nova trilogia que culminará no décimo - talvez último - filme. Particularmente achei a trama bem interessante e talvez a melhor desde o 5º capítulo. Os temas continuam os mesmos, sempre fazendo os personagens darem valor a família depois de altas tretas envolvendo traições e MUITAS cenas de ação. Falando nisso, as cenas de ação deste capítulo são totalmente surtadas. É impossível esperar um certo realismo de 'Velozes e Furiosos' pois a graça da franquia se tornou justamente em como eles vão superar as incríveis cenas de ação que eles vão construindo em cada filme. Por mais absurdas que elas sejam, é impossível não concordar que elas são divertidas pra caramba! E o fator principal de elas funcionarem tão bem é que você se importa com os personagens graças á química que eles têm entre si e o modo como é demonstrada a importância que cada um tem para o time. 'Velozes e Furiosos 8' pode não adicionar nada de revolucionário à franquia, mas mantém ela divertida e cheia de cenas inacreditáveis, transformando ela no maior guilty pleasure atual. (The Fate of the Furious. Dirigido por F Gary Gray. Com Vin Diesel e Charlize Theron. Ação. 136 min.) 

NOTA: 8

24 de ago de 2017

172. BRUXA DE BLAIR (2016)

Inicialmente vendido como 'The Woods', este filme seria apenas mais um terror no estilo found footage. Mais tarde acabou sendo revelado que, na verdade, este seria uma sequência de 'A Bruxa de Blair', longa de 1998. Este terceiro capítulo acaba sendo uma uma continuação do primeiro, esquecendo totalmente os acontecimentos e conceitos de 'Book of Shadows', o segundo filme. Aqui temos James, que convence uns amigos a acompanharem ele na busca pela sua irmã Heather - protagonista do longa de 1998. A partir daí o filme segue a cartilha de tudo aquilo que funciona nesse sub-genêro. A maioria dos sustos funcionam e a floresta é filmada e iluminada de forma aterrorizante. Não sou muito fã deste estilo de filmagem devido ao excesso de movimentos com a câmera, muitas vezes ficando impossível de identificar o que está acontecendo. Aqui isso acontece, mas em bem menos quantidade do que na maioria dos filmes. A fotografia é muito melhor trabalhada, já que aqui temos a adição de micro-câmeras e até mesmo um drone. Infelizmente os personagens não são tão carismáticos nem tão bem escritos como no original, e isso muitas vezes tira o peso que deveria ter. Alguns podem ficar incomodados com a similaridade entre este e o original, mas pelo menos fica evidente que estudaram bem o material. Tudo aqui parece uma repetição, assim como 'O Despertar da Força' parece uma repetição de 'Uma Nova Esperança'. O filme pega os melhores elementos do filme 98 e replica aqui de forma igualmente assustadora, porém com personagens mais fracos e menos interessantes. Este 'Bruxa de Blair' de 2016 ganha pontos pelo visual, pelos sustos e pelas cenas assustadoras. Sem contar as revira-voltas e o modo como a floresta mexe com a mente deles. É um filme ok, que repete as melhores coisas de seu original mas não adiciona muita coisa interessante. (Blair Witch. Dirigido por Adam Wingard. Com James Allen McCune Callie Hernandez. Terror. 89 min.) 

NOTA: 7

22 de ago de 2017

171. STAKE LAND (2010)

Mais um pra extensa lista de filmes pós-apocalípticos com zumbis. Tá certo que na verdade aqui são vampiros, mas eles se parecem bem mais com zumbis. Tirando os dentes, o visual por completo lembra zumbis. Mas a maneira de matar eles continua a mais clássica de todas: com estacas! Em 'Stake Land' temos um garoto que se chama Martin e um homem que é chamado de Mister. Eles viajam pelas estradas norte americanas, buscando um lugar para fugir da destruição que assolou o mundo após a dominação dos vampiros. Durante essa viagem eles cruzam com diversos personagens e passam por inúmeras situações de perigo que geram algumas das cenas mais assustadoras da última década. No geral, 'Stake Land' pode facilmente ser definido como um road movie, e isso é a melhor coisa do longa. Aqueles 2 personagens, viajando de carro e conversando sobre diversos assuntos, a interação deles com os outros indivíduos que cruzam o caminho deles. Diferente de 'Apocalipse' (filme com crítica logo abaixo e que se passa num mundo pós-apocalíptico) aqui temos personagens que, além de bem escritos, são cheios de diálogos sensacionais. Eu diria inclusive que Drama seria o gênero principal deste filme, com algumas várias pitadas de horror. Eu digo drama pois os personagens tem seus traumas ou seus problemas, e todos eles são inseridos na narrativa de forma convincente e através de diálogos que exploram o desenvolvimento de cada um deles. Apesar de elogiar tanto os diálogos, o filme é recheado de cenas que exploram muito bem a tensão do mundo em que aquelas pessoas vivem, Os vampiros não são os únicos inimigos e esse tema é muito bem construído pelos roteiristas. 'Stake Land' é uma visão diferente e original sobre vampiros e acerta em cheio nas decisões que poderiam soar estranhas nas mãos erradas. Sensacional. (Stake Land. Dirigido por Jim Mickle. Com Connor Paolo e Nicki Damici. Drama / Terror. 98 min.) 

NOTA: 9

20 de ago de 2017

170. ASSIM NA TERRA COMO NO INFERNO (2014)

Apesar de amar obras como 'A Bruxa de Blair', '[REC]' 'Cloverfield' entre outros, eu sempre achei a maioria dos filmes que usam essa técnica bastante preguiçosos. A maioria das produções que se utilizam desse estilo de narrativa  têm um orçamento bastante baixo, fazendo os diretores apelarem para a câmera tremida na hora das cenas tensas. Aqui em 'Assim na Terra Como no Inferno' isso não acontece, pois muita coisa é mostrado e de forma assustadora. O filme acompanha um grupo de jovens que decidem descer até as catacumbas que existem de baixo de Paris, procurando achar a famosa Pedra Filosofal de Nicholas Flamel. Sim, a história é bastante absurda e sim, a maioria dos personagens são descartáveis. Temos talvez 2 ou 3 que acabam tendo um pouco mais de desenvolvimento, mas a tensão e os sustos compensam essa falta. Apesar de ser um filme que usa o estilo 'found footage', achei sua fotografia bem estável e até mesmo nos momentos mais turbulentos o foco está sempre muito bem calibrado. Incrivelmente tudo foi filmado em locação, nas próprias catacumbas de Paris e isso fica visível no visual do filme, dando um aspecto de super-produção já que os cenários são lindos. Desde a primeira cena o roteiro vai te jogando pistas que levam à próxima cena, que leva à próxima cena e assim sucessivamente. Algumas das pistas eu achei bem fracas, algumas extremamente óbvias, mas elas cumprem sua função que é manter o ritmo em movimento. E realmente, o ritmo do filme é alucinante. Mesmo sendo curto, o filme parece ser menor ainda pois ele literalmente não para - e isso é um elogio. 'Assim na Terra Como no Inferno' é aquele tipo de filme cheio de problemas, mas que é tão divertido e cumpre tão bem o prometido que as falhas passam despercebidas. (As Above So Below. Dirigido por John Erick Dowdle. Com Perdita Weeks e Ben Feldman. Terror. 93 min.) 

NOTA: 8.5

18 de ago de 2017

169. TERROR NOS BASTIDORES (2015)

Há alguns anos atrás descobri 'A Rosa Púrpura do Cairo' e fiquei completamente encantado pela história totalmente metalinguística e com diversos elementos apaixonantes. Eis que 'Terror nos Bastidores' (ou no original 'The Final Girls') acaba sendo uma versão que mantém a comédia e troca o romance pelo terror. Aqui um grupo de jovens acaba entrando dentro de uma tela de cinema, tentando escapar de um incêndio dentro da sala. O filme que estava sendo exibido era um slasher dos anos 80 chamado 'Camp Bloodbath' e eles acabam ficando presos dentro deste filme. A partir daí o roteiro brinca com essa ideia de diversas maneiras e todas extremamente criativas. A fotografia e a direção de arte se complementam para criar um universo totalmente fantástico e que lembra perfeitamente os filmes daquela época. Além disso, o roteiro ajuda nessa ambientação ao criar personagens típicos desse gênero e que acabam sendo o grande alívio cômico. O roteiro ainda guarda espaço para criar momentos emocionantes que envolve a filha de uma das atrizes que está no filme. A atriz no mundo real morreu, mas a filha vê uma oportunidade de talvez ter sua mãe de volta se conseguir tirá-la do filme. Parece absurdo as coisas que estou falando, e realmente é... mas no bom sentido. Sem contar que o diretor consegue misturar os gêneros comédia e terror de forma bastante original e inventiva. Senti que a comédia foi o que predominou no geral, mas o terceiro ato tem uma boa dose de sustos. 'Terror nos Bastidores' é uma mistura de gêneros que acabou resultando em um dos filmes mais criativos que já vi nos últimos anos. (The Final Girls. Dirigido por Todd Strauss-Schulson. Com Taissa Farmiga. Comédia / Terror. 88 min.) 

NOTA: 9

16 de ago de 2017

168. APOCALIPSE (2015)

Originalmente intitulado 'Extinction', este longa de 2015 é mais um que explora o mundo pós-apocalíptico dominado por zumbis. Sim, mais um. Mas a boa notícia é que este aqui acaba se destacando dos demais por seu roteiro com personagens muito bem escritos. O filme nos apresenta 3 pessoas que são as únicas sobreviventes da epidemia que tranformou o resto da população em zumbis. Uma menina e seu pai moram juntos e na casa ao lado têm um vizinho com o qual eles não conversam. O motivo de tal briga é revelado aos poucos e surge de maneira convincente, sendo apenas uma das várias camadas que os personagens possuem. Matthew Fox é um excelente ator, mas sempre enxergo o Jack de 'Lost' nos diversos papéis em que vi ele. Tirando esse detalhe, ele chora bonito e convence nas cenas mais dramáticas - mesmo lembrando Jack. Jeffrey Donovan sofre do mesmo mal, porém também convence no papel do pai super protetor. E por fim temos Quinn McColgan que está excelente no papel da pequena Lu, talvez sendo a melhor coisa do filme. Visualmente, o longa fotografado pelo veterano Josu Inchaustegui é lindo e muito bem filmado. Em alguns momentos surgem flares claramente criados digitalmente, e isso acabou me tirando do filme. Felizmente toda construção narrativa do roteiro é feita de maneira gradual e intrigante. Ele te dá alguns sustos legais, a maioria jump scares que funcionam dentro da proposta. 'Apocalipse' ganha pontos no desenvolvimento dos personagens e nas relações entre eles. Os diálogos poderiam ser melhorados e o terceiro ato soa extremamente clichê perto do que estavam preparando, mas isso não chega a estragar a experiência, apesar de ter me incomodado. No geral 'Apocalipse' é uma boa diversão que se destaca num mar cheio de filmes sobre o mesmo tema por ter personagens interessantes e bem desenvolvidos. (Extinction. Dirigido por Miguel Ángel Vivas. Com Matthew Fox, Jeffrey Donovan e Quinn McColgan. Terror / Drama. 112 min.) 

NOTA: 7.5

14 de ago de 2017

167. PARADISE LOST (1996 - 2000 - 2011)

O que era pra ser apenas um especial sobre os bastidores de tribunais americanos acabou se tornando em um dos mais importantes documentários já realizados. 'Paradise Lost' conta a história deo brutal assassinato de 3 garotos de 8 anos de idade. Devido ao estado em que foram encontrados os corpos, a polícia presumiu que o assassinato fosse parte de um ritual satânico. Eis que surge um adolescente confessando ter participado no crime e ainda citou mais 2 garotos que teriam matado as crianças. A defesa alega que a confissão foi realizada sem a presença de um advogado e após horas de pressão psicológica. É quase impossível enxergar isso acontecendo, mas como os documentários mostram, isso pode facilmente acontecer, ainda mais quando entendemos de onde vieram esses garotos e como eram suas vidas. O primeiro é basicamente um filme de tribunal, acompanhando o julgamento dos adolescentes. O segundo é o 'menos excelente' já que não têm nada de importante para adicionar ao caso, a não ser mostrar como está a visa de presidiário dos acusados. Já o terceiro talvez seja o mais importante, já que é um capítulo conclusivo altamente satisfatório para uma trilogia recheada de revira-voltas que nem mesmo os melhores roteiristas de Hollywood poderiam criar. Assistir aos 3 documentários é algo que recomendo a todos que gostam de uma boa história bem contada, pois é disso que o cinema é feito. 'Paradise Lost' é um importante documento para a história do cinema, principalmente pelo poder que esta arte pode ter na vida de certas pessoas. Uma trilogia única e uma das melhores experiências que já tive. (Paradise Lost: The Child Murders at Robin Hood Hills - Paradise Lost 2: Revelations - Paradise Lost 3: Purgatory. Dirigido por Joe Berlinger e Bruce Sinofsky. Documentário. 150 min. - 130 min. - 121 min.) 

NOTA: 10

12 de ago de 2017

166. A SEMENTE MALDITA (1956)

Para aqueles que curtem filmes de terror com crianças como 'A Profecia', 'Cidade dos Amaldiçoados', 'Anjo Malvado' e 'A Órfã', fique sabendo que se não foisse 'A Semente Maldita' nenhum destes filmes existira. Por aqui ele também é conhecido como 'A Tara Maldita', mas prefiro o outro título. Dirigido por Mervin LeRoy, 'A Semente Maldita' é o primeiro grande filme a mostrar uma criança no papel de vilã, matando outros personagens. Na verdade os assassinatos são todos narrados pela sua mãe, pois creio que para a época seria forte demais mostrar tais assassinatos. O filme é baseado em uma peça de teatro, e ele transparece isso. São mais de 2 horas de diálogos e nada mais. O filme não possui nenhuma cena de ação e nem mesmo de terror, mas o roteiro consegue te manter preso na narrativa através da tensão criada em constante crescente. Talvez hoje em dia alguns fiquem incomodado com tamanha ingenuidade da personagem de Nancy Kelly, a Mãe. Fica nítido desde o início que ela tem uma certa suspeita nas atitudes de sua filha, mas ela demora demais a cair na real. Claro, ela é a mãe da garota, e naturalmente tentaria proteger ela, mas tudo isso é consequência do maior problema do filme: sua duração. São 129 minutos de diálogos e apenas isso. Claro, as atuações são incríveis, e a maioria dos diálogos são muito bem escritos, mas muita coisa poderia ser reduzida facilmente. PattyMcCormack brilha demais no papel da vilã Rhoda, e virou inspiração para personagens como Damien (A Profecia) e Esther (A Órfã) ao estrelar este drama com pitadas de suspense. Um excelente filme que merecia uma refilmagem um pouco mais voltada ao terror. (Bad Seed. Dirigido por Mervin LeRoy. Com Nancy Kelly e Patty McCormack. Drama / Suspense. 129 min.)  

NOTA: 8

11 de ago de 2017

165. BINGO - O REI DAS MANHÃS (2017)

O Brasil parece que pegou gosto em produzir cine biografias, e felizmente tem saído bons filmes. '2 Filhos de Francisco', 'Gonzaga', 'Elena' e 'Elis' são alguns bons exemplos dessa nova mania do cinema nacional. 'Bingo - O Rei das Manhãs' chega aos cinemas se tornando uma das melhores cine biografias do cinema brasileiro. Aqui temos Vladimir Brichta interpretando Augusto Mendes, um ator que consegue fama ao interpretar o palhaço Bingo em programas matinais. O roteiro é inspirado na vida de Arlindo Barreto e sua interpretação do palhaço Bozo. Devido a problemas com direitos autorais e um excesso de modificações da história real, o filme tomou a liberdade de mudar nomes de pessoas e empresas. Mas nada disso diminui o impacto que esse filme causa. A estrutura narrativa é a mesma já vista em diversas cine biografias ao redor do mundo, mostrando uma pessoa talentosa conseguir sucesso, ter problemas pessoais e com bebidas ou drogas, ir ao fundo do poço para depois ter sua redenção. O que difere esta de outras produções é o fato de todo esse escândalo com drogas, bebidas e sexo ter acontecido nos bastidores de um programa infantil. Vladimir Brichta brilha demais como Bingo e nos entrega uma atuação maravilhosa, digna de indicação ao Oscar (algo que jamais vai acontecer). Você claramente sente o estudo que esse cara deve ter feito para conseguir atingir o nível de qualidade que ele atingiu. Além de uma boa história e excelentes atuações, o filme é um deleite para os olhos, com uma fotografia linda e cheia de cores exuberantes, assim como a direção de arte que consegue recriar perfeitamente o estilo da TV brasileira nos anos 80. 'Bingo - O Rei das Manhãs' é um filme obrigatório, uma comédia com pitadas de drama que vai emocionar até mesmo quem não é familiarizado com o personagem Bozo. (Bingo - O Rei das Manhãs. Dirigido por Daniel Rezende. Com Vladimir Brichta. Comédia / Drama. 113 min.) 

NOTA: 9

9 de ago de 2017

164. ANNABELLE 2 - A CRIAÇÃO DO MAL (2017)

Direto vejo na internet pessoas reclamando que sequências são sempre inferiores, mas isso não é verdade, principalmente no gênero horror. Recentemente tivemos 'Invocação do Mal 2' que é tão bom, ou até melhor que seu antecessor, assim como 'Ouija - A Origem do Mal' que é infinitamente melhor que o primeiro filme. Com 'Annabelle 2' não é diferente, pois aqui temos um filme com uma trama melhor e visualmente melhor construído. O longa de 2014 não chega a ser ruim, mas é bastante decepcionante. Ele tem coisas boas, mas muito mais coisas ruins. Já em 'Annabelle 2' eles decidiram apostar em uma nova história com novos personagens que funcionam perfeitamente sem o filme anterior. Para dirigir este segundo filme eles chamaram David F. Sandberg, diretor do ótimo 'Quando as Luzes Se Apagam'. Apesar deste ser apenas seu segundo filme, o cara já tem uma extensa carreira com curtas de horror no youtube. Inclusive, ele repete muitos sustos criados em seus curtas aqui em 'Annabelle 2', fazendo eles funcionarem perfeitamente em outra narrativa. E a culpa deste filme sair bom do jeito que saiu é total culpa de David. O roteiro é capenga e os sustos são os mais variados clichês do gênero. Mas o modo como o diretor cria estes sustos clichês faz total diferença, assim como a escolha de onde botar a câmera e como iluminar o ambiente. David parece ter escutado e aprendido com James Wan várias tecnicas que o mesmo usou nas séries 'Sobrenatural' e 'Invocação do Mal'. Além disso, aqui as personagens são carismáticas, muito bem interpretadas e a grande maioria é esperta - o que é raro no gênero. 'Annabelle 2' felizmente acabou sendo uma grata surpresa em um ano cheio de filmes de horror excelentes, onde a concorrência era forte. (Annabelle: Creation. Dirigido por David F. Sandberg. Com Anthony LaPaglia e Stephanie Sigman. Terror. 109 min.) 

NOTA: 8.5

7 de ago de 2017

163. PLANETA DOS MACACOS - A GUERRA (2017)

Em 2011 foi lançado um reboot de 'Planeta dos Macacos', totalmente repaginado, mudando drasticamente o visual da série dos anos 70 assim como seus temas. Este novo filme - intitulado de 'A Guerra' - encerra uma trilogia que, agora vista como um todo, entra para a história como uma das melhores trilogias do cinema. Cada capítulo é um filme totalmente diferente, com histórias diferentes e até mesmo personagens diferentes. O elo que liga essa história é Caesar, um dos melhores personagens que já vi no cinema. Andy Serkis merecia um Oscar especial pelo trabalho que ele fez com este personagem, assim como a equipe de animadores que trabalharam na concepção do macaco em CGI. Além do excelente trabalho de atuação por parte de todos do elenco, o filme oferece um roteiro interessante, muito bem escrito, com diálogos geniais e desenvolvimento de personagens que deixam no chinela qualquer drama vencedor de Oscar. Falando nisso, não se engane com o subtítulo 'A Guerra', pois o máximo que temos aqui é uma batalha. E por mais interessante que esta batalha seja, é inegável que uma parte de mim fico decepcionado por não ver uma guerra de fato. Este filme, diferente dos outros, é muito mais um drama com algumas poucas cenas de ação. Tecnicamente falando, o filme é impecável. A fotografia é belíssima, os efeitos especiais são absurdamente convincentes e a trilha sonora é magistral. Isso sem contar o trabalho sonoro do filme, com uma qualidade espantosa e efeitos extremamente imersivos. 'Planeta dos Macacos - A Guerra' é um fim de trilogia perfeitamente satisfatório, com um roteiro cheio de temas polêmicos e momento icônicos que irão colocar este reboot dentre alguns dos melhores blockbusters já feitos. (War of the Planet of the Ape. Dirigido por Matt Reeves. Com Andy Serkis, Woody Harrelson e Steve Zahn. Drama. 140 min.) 

NOTA: 9

5 de ago de 2017

162. BABY DRIVER (2017)

Quero começar dizendo que eu me nego a falar o título em português deste filme por 2 motivos: o título nacional é podre e o título original é genial. Eu adoro quando, do nada, aparece filmes excelentes que eu nunca ouvi falar. Já faz um tempo que eu parei de ver trailers simplesmente porque prefiro ser surpreendido quando vou ao cinema, portanto eu não sabia absolutamente nada de 'Baby Driver'. Na verdade a única coisa que eu sabia era que ele foi dirigido por Edgar Wright, e isso é meio impossível passar em branco já que o cara tem filmes como 'Shaun of the Dead' (outro que me nego a falar o título nacional), 'Scott Pilgrim', 'As Aventuras de Tintim' e 'Homem-Formiga' no currículo. 'Baby Driver' é a obra máxima de Edgar Wright, seu trabalho mais original e mais cheio de estilo até hoje (e olha que os filmes desse cara têm estilo). No filme temos Baby, um garoto que precisa pagar uma dívida e para isso começa a servir de motorista para ladrões de banco. As cenas de ação e perseguição de carros são perfeitamente coreografadas e criativas, batendo até mesmo aquelas vistas na série 'Velozes e Furiosos' e até mesmo em 'Mad Max'. O roteiro é recheado de personagens excelentes que esbanjam diálogos cheios de carisma e atitude. No meio de tantas qualidades, existe uma que se sobressai, e é a edição de Jonathan Amos Paul Machliss. Ao final das quase 2 horas de filme temos a sensação de que acabamos de ver um grande videoclipe, perfeitamente ritmizado. A trilha dá o tom e o ritmo das cenas e quase sempre os efeitos sonoros se confundem com os instrumentos. Eu ficarei extremamente decepcionado se eu não ver este filme indicado ao Oscar pelo menos nas categorias de Melhor Edição e Melhor Edição de Som. 'Baby Driver' é um filme frenético, com algumas das melhores cenas de ação que já vi, além de ter momentos emocionantes de encher os olhos de lágrima. (Baby Driver. Dirigido por Edgar Wright. Com Ansel Elgort, Jamie Foxx e KEvin Spacey. Ação. 112 min.) 

NOTA: 10

4 de ago de 2017

161. KRAMPUS - O TERROR DO NATAL (2015)

Ainda estamos a 4 meses do Natal, mas já é bom colocar 'Krampus' na lista dos filmes obrigatórios a se ver nesta época. Os americanos adoram filmes natalinos e existe uma enxurrada de clássicos ambientados nessa data comemorativa. Do gênero horror existem poucos exemplos, e a maioria de qualidade duvidosa. 'Krampus' mistura terror com bastante comédia e um pouco de fantasia para criar mais um clássico natalino obrigatório. O filme conta a história de uma família desfuncional que acaba sendo aterrorizada por Krampus, uma criatura mitológica que ataca no Natal. O melhor do filme é sua primeira metade e como ela estabelece e desenvolve seus personagens. O roteiro não poupa tempo em criar excelentes diálogos que deixam explícitos alguns dos problemas que está família enfrenta. As relações são conturbadas e as personalidades são fortes e ao mesmo tempo carismáticas. Depois que tudo isso foi estabelecido, o roteiro parte para o terror (ás vezes terrir) e nos entrega algumas das cenas mais inventivas que já vi em um filme. Ele não tem vergonha de ser ridículo e jogar cenas esdrúxulas na nossa cara, instigando você a rir e sentir medo ao mesmo tempo. Tudo isso funciona graças ao meticuloso trabalho na direção de arte e fotografia do filme. Os cenários evocam uma certa fantasia no local, mesmo sendo extremamente normais e básicos, a iluminação brinca bastante com as core quentes e frias e os efeitos especiais são perfeitamente executados. O filme peca em sua segunda metade por apresentar cenas de terror sem inspiração alguma, usando os clichês da pior forma possível. O início do filme nos apresentou bons personagens e uma fotografia maravilhosa, tudo indicava que as cenas de terror seriam criativas, mas não foi o que aconteceu. Felizmente todo o resto do filme é um grande acerto, fazendo de 'Krampus' uma excelente aventura de horror com toques de fantasia, perfeito para ser assistido em família no Natal. (Krampus. De Michael Dougherty. Com Emjay Anthony, Adam Scott e Toni Collette. Fantasia / Horror. 98 min.) 

NOTA: 7

3 de ago de 2017

160. DOUTOR JIVAGO (1965)

Eu não sei direito por que evitei este filme por tanto tempo. Sou apaixonado por 'A Ponte do Rio Kwai' e 'Lawrence da Arábia', mas acho que este poster de 'Doutor Jivago' me dava a impressão de o filme ser aqueles romances melosos bem ao estilo da clássica Hollywood. Ao olhar a duração, ficava mais difícil surgir a vontade, pois são 200 minutos de filme. Felizmente passei por cima desses preconceitos e decidi ver 'Doutor Jivago'. Inicialmente planejei ver o filme em 2 partes, mas o que eu assisti era tão envolvente que acabei vendo as mais de 3 horas de filme sem levantar a bunda do sofá. Como falei, o poster remete a um romance, e de fato ele tem isso, mas nem um pouco meloso. O roteiro demora a nos mostrar Jivago e Lara como um casal, usando sua primeira metade para estabelecer as personalidades de ambos, ao mostrar o universo em que cada um vive. Além disso, Jivago é casado e tem uma linda relação com sua esposa, o que deixa seu envolvimento com Lara muito menos meloso do que eu esperava. O fato de o personagem-título manter um caso extraconjugal abre uma perspectiva totalmente nova sob a narrativa, já que é difícil termos personagens principais com valores éticos deturpados e que, ainda assim, simbolizem algo de positivo para a história que está sendo contada. A fotografia do filme é absurdamente bem composta, com ângulos maravilhosos, uma paleta de cores bem escolhida e um jogo de luz perfeitamente construído. Além disso, a direção de arte extravagante consegue retratar a época de um jeito glamouroso e épico. 'Doutor Jivago' é um dos maiores clássicos de David Lean, certamente um dos mais humanos. Um grandioso épico, com um escopo gigantesco e atuações extremamente fortes. Um roteiro impressionante, um verdadeiro estudo de personagem, que nos entrega uma história de amor honesta e coerente. Certamente colocarei ele na lista dos melhores filmes que já vi. (Doctor Zhivago. Dirigido por David Lean. Com Omar Sharif. Drama. 200 min.) 

NOTA: 10